6.6.09

ciclo





a vida é uns deveres que nós


trouxemos para fazer em casa.


quando se vê, já são 6 horas.


hé tempo...


quando se vê, já é sexta-feira...


quando se vê passaram 60 anos...


agora é tarde demais para ser


reprovado


e se me dessem -um dia- uma


outra oportunidade,


eu nem olharia no relógio.


seguia sempre, sempre em frente...


e iria jogando pelo caminho


a casca dourada e inútil das horas.





visitando mario quintana na tribo...

5.6.09

pouca festa

vi tudo estranho
ouvi palavras demais
senti o toque da pele
de menos
tô com sensação
de noite bem dormida
a noite inteira dessa vida
o desencanto dessa
festa
resta um
sem fim...

3.6.09

CDA

ou homenagem ao poeta
" o mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
o mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
o amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar"

se você estivesse aqui,
lhe mandaria uma mensagem
dizendo das suas palavras em mim.

2.6.09

chegança












a(cerca) do que nos cerca... sorte!
meus olhos, sorriem palavras e encontros...

31.5.09

na beira do mar

...foi na beira do mar,
na beira do mar...
aprendi a jogar
capoeira de angola,
na beira do mar...

domingo
lindo,
dia
vadio
cheio de graça
e alegria.
pessoas gingando
na roda da vida.
"eu quero
que todo sentimento...
de todas pessoas
do mundo
me perfure
para que eu possa
sentir cada um"...

sentir é música...

29.5.09

aleruada




















ou uma tormenta

restava pouco da menina



ingênua e deslumbrada.



cresci



de dentro



para fora.



sua chuva de gelo



quebrou a dormência.



você me atissa...



eu, broto intensa.



só sabe da entrega,



quem dá



sua cara à tapa.


... hoje, recebi de presente, a crítica mais consistente, crua e amorosa dos últimos 38 anos... hesiste um hiato entre quem somos e a representação de quem somos...
quem pode com o pote,não segura na rudilha...



27.5.09

mulher

desenvolvo dons adivinhatórios,
decifro sinais,
aconselho,
zelo pela integridade
da comunidade
semeio, colho...
moldo e pinto,
cuido dos animais,
recolho água,
cozinho,
fio e teço,
lavo roupa,
limpo a casa,
recolho frutos,
cuido das crianças,
mimo meu homem.
entre o céu e a terra
transito
mediando realidades essenciais.

pensando alto

produzindo o tal documento do concurso
pensei: posso até não passar...
mas o fato de estar elaborando meus conhecimentos, concepções e ações
articuladas à minha trajetória de vida e profissional,
de uma forma mais consistente
no sentido de entender meu processo de construir conhecimentos
acerca do momento histórico, social, político e pessoal no qual estou inserida.
difícil explicar, posto ser uma idiotice...
estar de dentro do vivido, vivendo.
tenho uma sensação de plenitude factral e volátil ,
mesmo assim registro sem medo
o prazer da oportunidade
de pensar alto sobre minhas potencialidades.

26.5.09

instinto




De mim
tens o mais puro
instinto carnal.
Sublime, orgônico
Algo em mim é tocado.
Me sinto inspirada
viva e pulsante.
Tenho prazer em saber de sua existência,
me agrada sentir essa conexão.
Pessoas como você...
de algum modo sutil e indireto
reverberam em mim...
Ecoam por ai...
Se misturam em outras pessoas,
formando uma energia
mais bonita nesse planeta.

móbile

é redundante...
como me sinto na vida...
"móvel no elemento movente"

25.5.09

deusa gata


compartilho com leminski

o delito-delírio

de escrever e pensar que esta pronto.

ai, sensação de plenitude infernal...

mesmo sendo ensaio

bato palmas

e acho o máximo...

pobre deusa-mortal...

nobis signum


O entendimento dos simbolos
e dos rituais simbólicos
exige do interprete
que possua cinco qualidades ou condições,
sem as quais os símbolos serão para ele mortos,
e ele um morto para eles.
simpatia,
intuição,
inteligência,
compreensão e
graça.


visitando fernando pessoa

23.5.09

desabafo

ou o que é sentido...

meu celular descarregou... minha energia não.
tudo continua remexendo por dentro...
nada de maremoto...
ondas sequenciais que dropo.
sinto sua voz forte-suave
isso me dá calma
me emociona
só não quero o tal desperdício do "ego"
busco sem procurar
a reciprocidade
que não se pede, que não se mede e que não se repete...
viu quanta negação?
precisamos de afirmações sentidas
você é prá mim um amor
desse meu jeito
que penso ser um tipo de defesa...
se for, prefiro continuar assim
como me reconheço,

na fantasia, criativa imaginação
sonho, crio, escrevo...
pode ser insuficiente,
mas hoje é tudo...
até chegar o dia que,
sem perceber ou pensar

estaremos fazendo manobras nas ondas sequenciais...
p.s. em verdade nem quero te ter, posto que já tenho.
nem te tocar desejo, posto que já toquei em sonho...
apenas sinto que posso com você experimentar algo novo...

mais que amar.

22.5.09

azulejo

a chuva me alcança
da sua janela
vejo o mar e a nebulosidade
da mistura
entender o movimento
sentir a lição da espera,
o rítmo
escolher planos
deslocar o espaço
tudo tem sensação de vertigem
no precipício me atiro.

espelho

através de voce
crio um "romance"
a paisagem, um lugarejo
sem tempo nem lugar
sua janela
nossa casa
um circo no quintal
as dunas como jardim...
nesse tempo
meio "minas"
esse é o clima.

21.5.09

zangado


entre a palha e a pedra


foi o mote que ele me deu


a comida tava boa


mas o carinho


é que alimenta...


na medida exata


entre a leveza da palha


e a dureza da pedra


atravessada no caminho


para meu"s" querido"s" amigo"s" geovane"s"

fórmula mágica

como fazer dessa emoção
um caminho de transformação?
como não se deixar levar pelo embaço das lágrimas?
ouvindo racionais sinto o drama
"um rosto na multidão...
família brasileira, dois contra o mundo..."
são muitas palavras que falam da experiência,
que dizem o indizível
salve, salve...
o som, a palvra, o verso

20.5.09

falta

sinto falta de teus olhos
queria teu sorriso na minha boca
pena o desejo não ter rumo
e vagar por outras paragens
se essa rua fosse minha
nela faria garagem

em mim

ou a visão de mim por uma amiga

“A FURIA DA BELEZA”
Elisa Lucinda

Estupidamente bela
a beleza dessa Maria-sem-vergonha rosa
soca meu peito esta manhã!
Estupendamente funda,
a beleza, quando é linda demais,
dá uma imagem feita só de sensações,
de modo que, apesar de não se ter a consciência deste todo,
naquele instante não nos falta nada.
É um pá. Um tapa. Um golpe.
Um bote que nos paralisa, organiza,
dispersa, conecta e completa!
Estonteantemente linda
a beleza doeu profundo no peito essa manhã.

Doeu tanto que eu dei de chorar,
por causa de uma flor comum e misteriosa do caminho.
Uma delicada flor ordinária,
brotada da trivialidade do mato,
nascida do varejo da natureza,
me deu espanto!
Me tirou a roupa, o rumo, o prumo
e me pôs a mesa...
é a porrada da beleza!
Eu dei de chorar de alegria funda,
quase tristeza.
Acontece às vezes e não avisa.
A coisa acontece e abre um portal.
É uma dobradura do real, uma dimensão dele,
uma mágica a queima-roupa sem truque nenhum.
Porque é real.
Doeu a flor em mim tanto e com tanta força
que eu dei de soluçar!
O explendor do que vi era pancada,
era baque e era bonito demais!
Penso, às vezes, que vivo para esse momento
indefinível, sagrado, material, cósmico,
quase molecular.
Posto que é mistério.
Descrevê-lo exato perambula ermo
Dentro da palavra impronunciável.
Sei que é dessa flechada de luz
que nasce o acontecimento poético.
Poesia é quando a iluminação zureta,
bela e furiosa desse espanto
se transforma em palavra!
A florzinha distraída
existindo singela na rua paralelepípeda esta manhã,
doeu profundo como se passasse do ponto.
Como aquele ponto do gozo,
como aquele ápice do prazer
que agente pensa que vai até morre!
Como aquele máximo indivisível,
que, de tão bom, é bom de doer,
aquele momento que agente pede pára
querendo e não mais podendo mais querer,
porque mais do que aquilo
não se agüenta mais,
sabe como é?
Violenta, às vezes, de tão bela, a beleza é!”

18.5.09

frágil




queria sair pela rua sangrando

a fragilidade da vida

aquela inventada

aquela sentida

aquela bandida

queria sair pela rua sendo curada

desse frágil estado de ser gente

desse profundo estranhamento de se reconhecer

dar voltas e voltas

sem nada encontrar

empilhar pedras do caminho

habitar precípicios

esquecer...

nomes

queria escrever das palavras

queria saramargar

anos luz de solidão,

crônica de uma vida anunciada

encontros...

todos eles reunidos...

machado, drummond, fontela

hesse, gaiman, antunes, leminski...

bantock, medeiros, araújo, ulhoa,

canclini, kundera, herbert, freire, reich...

barbosa, poe, claval, chaui, jung, campbell...

queria escrever da poesia de

todos os nomes que me povoam...

movimento

os olhos dos outros
levitam sobre mim
estão aqui e se foram
o inesgotável movimento,
ordenamento do chamado real
fomos longe demais
sem nunca sairmos daqui
vai... sai de mim
saudade do que não sei
memória do inexistente
os olhos dos outros
levitam sobre voce...
se foram e continuam ai
ordenamento inesgotável
do movimento chamado real
nunca saimos de lá
e fomos longe demais
vem...fica em mim
saudade do que existe
memória do que sei

14.5.09

vermelho


ou o poder da cor, nas unhas de uma mulher


tirei o vermelho das unhas
desci momentâneamente do trono
permaneço rainha
de onde vim
e do povo que carrego
dentro em mim

"nizinga"

12.5.09

depoimento

menino de meus olhos, preciso dizer da bandeira que vejo...
pode até ser delírio... um a mais que importa, sou intensa e preciso...
nossos filmes são diferentes... nem por isso ignore os enredos...
amamos o cinema da vida... isso de certa maneira, nos torna cumplices...
não tema e nem dê corda à seu narcisismo pelo avesso
como se você não gostasse de se ver refletido
existe empatia...

continue quieto se assim satisfaz...
não é qualquer ausência de gesto que alimenta meu desejo...
o alimento vem de mim...
que vejo a prosa vertida em palavras sentidas,
virando verso,poesia sem rima, palavra narcisa
que me reflete em você

vadiagem

meu corpo é assim
tem formas intangíveis
para a maioria
ele chega me atinge e preenche
quase poderia...
encontro prazeres
que quero sentir com você
quero ser sua adorável "Doró"
a fonte do seu equilíbrio
e o veneno escolhido
para ser vagarosamente
ingerido até o último suspiro
quando estivermos bem velhos
vadiando ainda juntos

estou a mercê das emoções mais inesperadas,
são os efeitos colaterais do que falta
do que não se apresenta
desse morrer bonito todo dia
que é vida
esse "alfinim" que qualquer mexidinha a mais
pode botar a perder
tenha zelo seu moço, por minha "paisagem interior"

resposta

chega de tanta poesia...
acordo inspirada
penso em arte
escrevo
quero falar de outro assunto...
parece vício
precipício...
será ofício?

fuga

as palavras fugidias...
chegaram com a chuva
e se foram
parece desejo
que se instala
e um dia passa

capital social

ou verbete

"teoria que analisa economicamente os rendimentos do amor, da sinergia e da reciprocidade"

inspirada pela palestra da clarissa diniz, no 8 de maio

chá de artista




amei.


por jean sartief, no 8 de maio

9.5.09

sempre


ame

forte, fraco

certinho, bagunçado

colorido

mude o sentido

ame sempre muito

de qualquer forma

ame
é um mantra

uma canção
minha respiração

ameameameameame

incompleto,

sem frescura

ame

respire, dê um tempo

cansa, eu sei

mesmo assim

persista, sinta

ame

vai, continua

tá dando um barato
é uma loucura

se entregue

ame

vira emoção

sem você perceber

quando se der conta
a vertigem acaba
só resta amor
e você sorrindo

dizendo

.amo.

divino

ou a vertigem de amar

acordei sozinha e feliz.

a lua cheia me afeta,

sou mundana e ele também.

nossos corpos dançaram juntos/separados

isso é amar...

ver o desejo que não é seu, sentir prazer, compartilhar...

o encontro é assim... acontece

"muito amor, muito veneno, prá pouco lugar"

se isso é coisa divina eu quero pecar...

me carinhe em outro corpo...
qualquer dia tudo muda,
nada é nunca,

na fonte do desejo que não seca...

8.5.09

não ver

o menino tão cego...
só via impossibilidades.
conseguirá ampliar
os SENTIDOS?
ama tanto...
mas só serve a dor
de não ser amado...
lerá um dia em braile?

dançar


a dança imóvel da vida se faz

também, pensando e sentindo

posto que dançar, é estar inteiro.
homenagem visual ao meu pure bailarino e amigo rubens

correspondência I


qual o quê...

ou o silêncio que não foi perguntado

quem você pensa que é
para fala de desejo?
poderia ter respondido verdades...
que senti antes de pensar,
que sou mulher mandingueira,
que trago em mim contradições
das mais variadas...
poderia ter dito qualquer coisa...
mas ele nada perguntou...
no dia que me preparei para que me amasse.

7.5.09

o circo, a roda e nós

Estamos aprendendo a diologar, exercitando falar e sermos ouvidos, nos mostrando e vendo uns aos outros.
Nosso encontro cria possibilidades de crescimento, posto que estivemos juntos, mesmo na hora do confronto entre iguais, que não concordam em tudo. Somos frutos de tradições modernas e autoritárias e de princípios capitalistas insustentáveis.
Ainda assim nossas sementes germinam um aqui-agora sem medo de ser quem somos, do quão livres desejamos ser. Estamos mudando nosso cotidiano na relação com nosso corpo, nossa alimentação, ócios,desejos e na relação com os outros.
Nos grupos e comunidades das quais fazemos parte, sempre é trabalhoso se harmonizar com tanta gente diferente, sem perder o núcleo das identidades individuais e coletivas.
“ não espero o dia em que todos concordemos. apenas sei de diversas harmonias bonitas e possíveis sem juízo final” C.V.
Em mim, que vim aqui com tesão somático de viver e criar, levo marcas de gente variável, circense... angoleira, maliciosa e mandingueira, que trás muito axé em sua capanga...e assim, o amor de amar com sua "asa aberta" sobre nós vem se chegando... dizendo... ame
sentido antes, durante e depois da participação no Olonimó em Aracajú-SE.

orientação

ou receita de artista

incrível... ele disse, interessante... tem uma coisa ai, bem legal...
pesquise isso, aquilo, veja tal artista... essa performance... aquela outra...
dê atenção ao registro...
papo gostoso e fluido...
o que mais gostei foi o óbvio:
arrisque, continue fazendo...
o tempo, o espaço e a pessoa...
tudo diz qual é o incômodo
tudo diz, da sua fala para o mundo...
veja/perceba/sinta.
seja artista, sendo!

menageatout le artist

lágrimas

não consigo esquecer seus olhos...

vira e mexe vejo o brilho intenso desse olhar...

resolvi escrever.

preciso...

amar, é assim um desafio...

tenho me lançado nesse mar bravio,

sem âncora nem paradeiro... ai...ai...

vou eu poetizando a dor...

era disso que queria falar...

da dor de amar em palavras...

queria abraçar você e fazer passar...

é isso...

coisa de empatia...

coisa de gente que sente, que um dia... passa...

ai vontade de chorar...

6.5.09

inteira

quando digo:
ame
estou falando corpo...
dizendo corpos relacionais!
até onde vai nossa percepção?
esses são meus ais...
ficatudoembaralhado
esse desejo é seu ou meu?
nesse projeto de vida
quem cedeu mais e por quais motivos?
perguntas demais
para alguém que sempre amou
e que hoje está amando inteira
pela metade

3.5.09

uma coisa que não tem nome

olhando os meus pensados
tô com sensação de despedida
homenageando
gente em vida...

conversa do carro nº 01

ou conversa de elefante I

_como é que começou?
_achei que o farol estava baixo e perguntei...
_hum... dai eu mexi, abaixe, aumentei e desliguei os faróis... depois perguntei como se fosse um truque: _ viu o que sei fazer? riso...
_lombada a 100km... riso... 100 m!
_ agradecida, meu co-piloto.
_é você que cuida dele assim?
_ é... minha carrocinha...
_é uma relação de amor e ódio, né?!
_... até que não...porque quando eu amo, amo até quando é ruim...
_fiz o truque dos faróis novamente: _viu o que eu sei fazer?riso... e perguntei como tudo começou...



homenagem a graça da vida... no caminho com adolfo, voltando de pium
homenagem ao amor, que deveria ser amado mesmo quando é complicado

saída


meu pescoço endureceu

é o peso dessa vida

o corpo sabe como manter a cabeça no lugar

impedir os movimentos

para encontrar a saída

como num jogo silêncioso e tenso

mas comigo não funciona

sou molinha logo passa

a saída é que me acha

conversa de elefante

sei você não quer ouvir
sei não te interessa
sei mais tenho que correr o risco
sabe de uma coisa, gosto de você
sei , não lhe apetece...
sei, é estranho
sabe te convidaria até para
ir naquela montanha mais perto...
sei, não acredita...
sei, não está a fim...
viu? lhe convidei
sei, prefere ficar em casa...
sei, sei
sabe, essa história já tá cansando
sei, devo desistir
viu? um sorriso...
lhe apeteceu...

visitando ledos enganos meras referências

chuva


a. queda.. esvazia... de.... sentido
todo...... ato....... inspirador
é......... como.......... procurar........... abrigo
numa............. toca............. de.............. ouriço
existe.............. proteção................. ali
só.................................. para ele
o drummond que tava certo
escrever não tem nada de poético...

....................................................

;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;

..............................................

;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;

...............................

;;;;;;;;;;;;;

2.5.09

efeito colateral

tenho grande apreço pela cultura intelectual,

mas não confio muito em seus efeitos.

me devore através das palavras

remexa por dentro

transforme em poesia

e ame,
pois minhas palavras vão cair como chuva em você.

mulher interrompida


ou dodoi...

seu joelho
tem uma casca de ferida
que a cada movimento
se abre
e não cicatriza.
preferiu parar
o movimento da vida
ao invés de sangrar
de vez.
nela há uma força acumulada
que se expande
numa energia
desinteressada e inútil.
realidades são possibilidades
distintas,mas ela não vê.

hora do almoço

cozinhar para um amor é bom...
se come e é comido
o encanto é não falar
e ser
o encanto é não querer
e ter

um fotógrafo


ou homenagem ao olhar

aprendi que olhar de gente é que fotografa...
minha máquina é bem simples, meu olhar complexo e caleidoscópico
quase alucinação...
vejo, luzes, sombras, réstias...
vejo corpos transformados com o tempo

a máquina dele é muito boa,
mas seu olhar é muito mais
marcelo isola imagens de retina e compartilha
marcelo isola compartilhando...

esse paradoxo de exercício
do olhar e liberdade
em qualquer lugar

esse interesse nas possibilidades
de ser gente...
senti na pele
o arrepio do encontro
desse olhar...

moço, grande, bonito e aventureiro
com viço pra vida...
agradecida

visitando linhaimaginaria.com

1.5.09

papoulas insanas

lendo palavras da [r]enata
me achei sentimental
sempre me permito...
não sou mais outra de mim
todo desejo
é meu mesmo
não posso negar
lá fora flores...
aqui dentro amores...
sou cores em profusão
todo encontro
é sorriso
basta se olhar com atenção
visitando verso poti

29.4.09

erótica


agora no banho

imaginei sua boca

em meu mamilo
senti suas mãos
me apertando
de prazer
((((((((sorri com a idéia))))))))
gente excitada
é mais perigosa
que gente rígida...
pois vive suas fantasias
durante, através e junto com atividades cotidianas
gente que se permite ser o que sente
..........................................................
mais ou menos isso, amor:
interessa "aos donos do poder"nós dois bem infelizes e conformados.
interessa tanto como nós dois bem felizes e conformados.
nós dois bem e inconformados
isso não interessa, amor.
visitando reich/gaiarsa...límpido e certo

solidão


pensei no erotismo da vida...

pensei nas provocações que tenho feito

para algumas pessoas...

me sentir em cio

constantemente
tudo temperado por

muita admiração e respeito...

tudo por meus sentimentos

e para consciência geral da nação...

de que é permitido ser feliz...

sozinha ou acompanhada.


em verdade, pensei sobre escrever...

ato/desdobramento certeiro e positivo

da solidão...



visitando poemas daflôr dapele F.K.

28.4.09

O CARÁTER ARTÍSTICO DA CIDADE



Por Rosane Felix e Sanzia Pinheiro
A cidade como um acervo de arte, é o que sugere um grafite belíssimo na esquina da Avenida Prudente de Morais com a Rua Miguel Castro. O trabalho, possuidor de grande delicadeza é assinado por Japers. Na imagem é possível ler duas frases “solte as flores” e na “teoria a prática é outra”. A primeira nos fez pensar no artigo de Lúcia Marciel Barbosa de Oliveira e Liliana Sousa e Silva, a Cidade Como Experimentação no qual as autoras pensam a cidade como projeto coletivo: A cidade como teatro do encontro, como espaço de criatividade, como sistema de vida que desenvolve desejos e como projeto cultural.
A idéia de coletivo se distancia das idéias de massa e povo e se aproxima da idéia de coletivo como afirmação de uma multiplicidade de singularidades, de individualidades, voltadas para a ação conjunta. Neste sentido é interessante pensar a “poética do espaço” presente no transitório diálogo que produções marginalizadas, tão presentes em nosso cotidiano como o grafite, lambes e stencil pelas ruas, lançam ao transeunte que vivencia e observa o espaço. Questões de significado diverso, como o pertencimento, o simbolismo e historicidade presentes no ato de apropriação de lugares públicos, por parte de artistas invisíveis que compartilham conosco suas intervenções.
A importância de entender a cidade, enquanto produção artística, fruto não só do planejamento urbanístico, mas da representação que a ela dermos através de nossa percepção, estabelece diálogos de naturezas diversas através da arte, adicionando possibilidades que extrapolam o fluxo utilitário do espaço público cotidiano. O significado dessa experiência perceptiva fomenta a compreensão da cidade como um coletivo de interesses diversos, que reconhece o imaginário de cada morador como símbolo e parte da sua história.
“Na prática a teoria é outra” e “solte as flores”, fazem pensar na cidade como um lugar poético, portanto estético e artístico. Lembra o poema “a flor e a náusea” de Drummond. A arte das ruas nos oferece a oportunidade de quebrar a uniformidade dos dias, forjando com linhas, formas e cores novas possibilidades de existir e vivenciar Natal. Perceber a arte na cidade seria então um convite a “soltar as flores” de nossa percepção, ao percorre a cidade que vivenciamos, deflagrando assim, um olhar assimétrico sobre a própria arquitetura do ambiente e sobre acontecimentos sociais e políticos.

27.4.09

casa








a casa tem cheiro de sujeira

e está limpa

é o cheiro do estado das coisas

é o acúmulo das pequenas

tragicomédias cotidianas.


os lençóis tem cheiro

de murrinha...

são as horas bem dormidas

na cama.


tudo tem cheiro

de passado e aconchego...

assim a casa me cheira.

urgência

sinto urgência de escrever
é como se as palavras
fossem correr de mim
tropeçar nelas mesmas
embaralhando o sentido do texto

enquanto faço o cotidiano
me pego pensando
em escrita
largo tudo
saio colhendo palavras
que querem escapar

a tessitura está feita
que importa o tema
tudo é poema...

24.4.09

avaliação


o tema me emocionou

o encontro com gente que tem tempo de se pensar

me deixa assim...

reflexiva e alimentada de compartilhamentos...

bom saber que se têm pares...

bom saber que não se está só...

somos uma multidão de solitário

que se acompanham na construção de um devir


"a felicidade vai desabar sobre nós"


sobre o momento formativo de hoje

21.4.09

amizade

minha miopia
me faz ver melhor
vejo minha própria vida
de fora de mim...
bem perto...

homenagem ao amigo ilton em 20 de abril de 2009

20.4.09

soma

a alma é o corpo
a arma é o corpo

humana

...acordei ouvindo sua voz,
que me falou das mazelas deste mundo.
acordei arrepiada,
sentindo a força de sua voz...
acordei sentindo o quanto realmente existimos...
estamos aqui, ai, acolá...
implodindo essa miséria que ai está,
sendo gente de verdade
nosso corpo quer amor e prazer
não-violência!

sou o que sou
só isso...
ser o que sou é tudo que posso.
existo, logo existo...
demasiadamente humana...

escrito em 20 de agosto de 2003
oficina de consciência corporal em olinda-pe (que não pude participar...)

19.4.09

manuelando


... nínguém consegue fugir do erro que veio.

(in)satisfação

ou a mulher do outro

a única guia que tenho é minha respiração opressa
minha pele arrepiada
meus instintos
todo amor que vale a pena parece vir carregado de perigos
faz tempo que ofereco meu amor para nínguem
portanto tenho pouca experiência recente
do passado vivido ficou uma certeza
o bom é se entregar
sem medo
por inteiro
se rasgar de alegria e sofrimento
se ele tem outras
resta saber porque volta pra você
obrigação ou vontade
se for vontade que vá e volte por trilhões de vezes
e cada retorno seja a primeira chegada
se você for a favorita do harém...
seja sua rainha...
o difícil é satisfação...

17.4.09

acontece


em meu corpo algo se mexe

sinto desejo de manhãs de amor intenso

sair pela rua indignada

e feliz

brilhando prá quem quiser luz


descobrir seus olhos sorridentes

me encantou

encontrar gente que é

me faz assim

inspirada

verto delícias e palavras


prá você desejo toda poesia que houver nesse mundo



16.4.09

Fermentações Visuais

Coleti(arte)vismo
Ou transgressões convergentes


Rosane Felix


Discutir Arte como um conceito puro tornou-se praticamente estéril. Por mais que teorizemos, ela (com letra maiúscula ou minúscula) permeia setores sociais, atende a distintos e diversos interesses que por vezes, sem fim, se chocam e se anulam.
O caminho artístico pressupõe domínio de técnicas, uso de materiais e procedimentos institucionalizados ao longo do tempo, que têm sido postos em xeque no ocidente desde os primeiros movimentos modernistas.
Experiências artísticas deflagradas por coletivos como o GIA_BA, o ENTORNO_DF, o OXENTE_RN, o EIA_SP, dentre outros, expressam mundos particulares que são trazidos para a esfera das políticas culturais e dos direitos civis em países “democráticos”, onde sabemos que esses direitos dificilmente poderão ser exercidos pela maioria da população, inscrita numa condição de pobreza e ignorância extremas.
O ativismo na arte contemporânea mostra claramente o quanto é necessário imprimir na existência humana a condição artístico-estética de ser e estar no corpo, no bairro, na cidade, enfim, na realidade social e cultural de onde se está inserido, vivenciando a expressão de nossas ações cotidianas.
É interessante refletir sobre a produção artística coletiva, que tem suas origens na década de 70/80, com grupos como o Viajou sem Passaporte, 3Nós3 e Manga Rosa, cujas ações tinham claros objetivos políticos, em contraponto a muitas ações coletivas da atualidade que se configuram muito mais como um espaço de sociabilidade, visibilidade e subjetividade que por outras vias seriam praticamente inexistentes, convergindo para novas transgressões nos campos da arte. Tudo passa a ser transitório, investigativo, vivencial, abre lacunas, interroga, preocupa, causa estranhamento e transformação.
Há um ciclo que se constitui a partir dessas ações,como o despontar no próprio coletivo de artistas com propostas mais consistentes aos demais, participações em exposições, salões, bienais e afins, residências. Todo esse movimento não substitui o mercado e o circuito da arte, mas realiza uma ventilação, insere novos e paralelos circuitos, amplia a atuação crítica e curatorial.
Ainda não somos a projeção do discurso ético, político e estético que precisamos, mas também não somos a sombra do velho discurso projetado na modernidade.
Estamos construindo um discurso através de ações coletivas que dêem conta das realidades e dos indivíduos, produzindo arranhões na estrutura de maneira hibrida, fluida e conectiva, que libere nosso poder criativo de viver ética e dignamente.


Texto publicado no Jornal Tribuna do Norte 14 de abril de 2009
Caderno Viver
Coluna Fermentações Visuais por Sânzia Pinheiro
Publicado também no Blog Neoiluminismo por Tiago Franz : http://neoiluminismo.wordpress.com/2009/04/17/coletiartevismo-ou-transgressoes-convergentes/

15.4.09

pura poesia

ou sobre a poesia do inesperado momento de um beijo

estava eu lendo manoel de barros no ônibus
aconteceu de eu ver uma boca linda...
não resisti e escrevi
"sua boca é linda...
álguem já disse?
deu vontade de dizer..."
rasguei o papel, segurei...
hesitei...
mesmo assim lhe entreguei o bilhete...
qual a surpresa!
de sua boca linda, macia e encantadora
recebi um beijinho singelo e doce
ai, ai...
a poesia dele me beijou...
a poesia me beija

14.4.09

consideração


ou maneiras de amar...

realmente não dá prá saber se "tudo volta a ser como antes" depois de uma grande paixão ou fulgaz paixonite...
não dá pra saber se o que sentimos é temporário...
sabemos que tudo é temporário mais pode durar "uma vida inteira"...
por mais paradoxal que isso possa parecer...
penso que se pode escolher estar com duas ou mais pessoas por essas pessoas te fazerem bem de maneiras diferentes...
penso que esse "ou isso ou aquilo" é uma tirania da nossa cultura...
existem harmonias possíveis... que para serem conquistadas dão bastante trabalho...
precisam de muito amor, respeito, liberdade... e consideração

palavras carentes de sentido para a "sociedade dos infelizes anônimos"...
mas, viver dá trabalho e também muito prazer...

"eu não te basto, você não me completa... mas é lindo o gesto de se oferecer..."

eu acredito nisso, sendo assim é o que me guia...

sei lá, fazendo uma ilustração meio "esdrúxula"... moro no litoral...mas também tenho casa na montanha e no sertão...
qual delas é a "minha casa"...

em mim a resposta é simples... vem fácil, sem confusão... é a do litoral... foi a que comprei primeiro... a partir dela pude fazer planos... adquirir as outras...


consideração... é o meu critério...


quero amar com tudo... quero me reapaixonar sempre pela mesma pessoa, pelo mesmo amor, pelo mesmo e doce/azedo cotidiano...
tipo assim " o que vc significa na minha história, para mim... o que acontece em meu corpo quando nosso olhar se encontra... o que acontece em nossos corpos quando se tocam"

é desse amor que falo, é esse amor que quero...

que passa pelo meu corpo como onda de prazer acima de qualquer dissonância...

dentro do olho do furacão...

é muito subjetivo, mas eu sinto assim...


(pena ainda não ter encontrado alguém para compartilhar dessa aventura subjetiva de amor)


incrível... tenho lágrima nos olhos...
sinto um nó na garganta...
me sinto só...
mas sou minha.

quanto mais conseguimos nos sentir, entender nossa maneira de ser e estar no mundo, mais ficamos por dentro de nossas possibilidades de amar

amem amar de amor ( a redundância é fundamental nesse caso!)

7.4.09

porta
















oestranhobatenaamplitudeinteriornãoháresposta.éoestranho(oirmão)quebatemasnuncahaverá respostamuitoaléméopaísdoacolhimento.o.f



na roda se vê e se é visto
na roda entrou é prá rodar
a roda vai girando
em cada um
rodo eu, roda você
na roda/ciranda da vida
caiu na roda é pra jogar
caiu na roda mandinga e levanta
dá voltas no mundo
e volta pro mesmo lugar
diferente

1.4.09

uma das correspondências

ou uma pseudo - homenagemadoir

me chamou atenção a cor de suas unhas...
a armação dos óculos daqueles olhos seus...
acho que até o corte do cabelo...
mas foi o sorriso que me abriu sua janela
(dizem que os olhos são "as janelas da alma"... no caso dela não...
o sorriso é a janela do corpo, do aqui-agora)

um sorriso inteiro dela
um sorriso inteiro meu
e amamos o mundo de uma cidade...

escrito na madrugada de 26/27 de março de 2009

fome

ou uma pequena crônica do paladar

meus lábios...
se transformaram em todo o meu corpo.
a goiaba...
virou um planeta de sabor em expansão.
e assim pulsando...
fizemos amor...

deliranix

não é fácil, na verdade preciso esquecer...
tudo não passa de um delírio da minha percepção alterada...
do fluxo intenso da minha alterada percepção...
parece que como o Obelix eu cai num caldeirão de alguma porção mágica...
ele é forte o tempo todo...
eu sou quase o tempo todo alucinada...
(agora mesmo estou escrevendo e ouço diferentes passáros gorgeando lá fora... ouço a música tocando no apartamento de cima, a batida de uma porta se abrindo ou fechando... o cara que entrega água chamando...)
tenho muitos pensamentos em linhas de raciocínio diferentes. sinto o meu cheiro, o cheiro do lugar onde estou... sinto a língua se movendo na minha boca... vejo imagens mentais de lugares e pessoas... recordo trechos de livros e filmes... penso na reação de alguém lendo o que estou escrevendo ( é... você ai!)
a força do Obelix serve para proteger sua aldeia da invasão romana e para proteger a natureza...
de que serve minha alucinação...
há de haver sentido para todo esse sentir... (adoro as redundâncias)
tem dias como o de hoje, que uma simples conversa detona em mim uma vertigem de sensações...
saio de mim mesma por ai, colando lambes gigantescos, esculpindo e modelando formas, fazendo amor com alguem que não me ama numa cachoeira linda...
ainda assim permaneço aqui no " meu cantinho de tesouros" escrevendo no caderno ( é ainda sou muito analógica, adoro esse processo de escrever... ver a caneta desenhando no papel, ouvir o chiadinho gostoso desse gesto... as vezes até quando digito me pego pensando no rítmo do gesto...(digressão... digressão...)
enquanto o sentido não vem (sabe aquele grande... que num pase de mágica fará tudo fazer sentido... será que tem mesmo...) ou dito de outra maneira ... enquanto tudo é sentido...
sigo inspirada e delirando....

escrito na manhã ensolarada do dia 12/03/2009

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