2.11.09

banho de luz



 


sob a lua,brilho...
nua
sou reflexo do sol.

ensaio

basta aparecer que te incluo na minha história...

0 x 0



se  encontrou
aparências
comigo...
hei de encontrar aparências
contigo...
assim, ficaremos quites!



contradição

ou  falta de sentido aparente

imperfeição e respeito
aceitação e prazer
tensão e tesão
avanços e retrocessos
suavidade e força
atenção e liberdade
amo possibilidades...

epigrama # 5





AVENTURA

de Ser...
Demasiada
Humana...
Mundanazinha
e de ser uma...
Extasiada
Onda...
entre tantas...
Pedras!

visitando Escrituras Sangradas Livro #2 



31.10.09

tecnologia

vem cá, meu bem!
cê sabe que me deixa ligada.
vamos ficar off line,
ao menos por um dia.
vamos gerar essa energia...

poder

"me disseram que sonhar era ingênuo...
e daí?"


a luta é feita contra os inimigos...
a revolução contra os inimigos quer tomar o poder.

com amigos quero criar outros poderes...
quero a insurgência de atos cotidianos.
outras possibilidades de ganhar a vida.

se poder é esse copo d´água turvo,
ele não mata minha sede.

quero beber água de quartinha...
quero água fresca de pote,
como o amor
que umedece.

29.10.09

distância

estar  fora de si,
leva tão para dentro.
fica longe
qualquer encontro.

para dentro
é tanta estrada
que permite chegar
em você.

de tempos em tempos
 se encontrar e perder,
necessários movimentos
de crescer.



epidermica

eriço
de sentido
cada ato
cotidiano.

no prazer
aprendo






valsa

enquanto trabalha
vadio
enquanto estação
ônibus vazio
enquanto cachorro
gata no cio

27.10.09

palavras


a leveza da palavra
é  mentira
que não permito mais.
melhor silêncio
a usar palavras de ocasião.
olho d'água
que não soterra.
basta mexer um cadinho
já vaza um rio.

25.10.09

surpresa

ou sobre aterrisar

chão que
nunca
chega.

visitando sobre ser lilás

23.10.09

dúvida






foi uma das sensações mais gostosas
que tive com você.
era como um eco...eco...eco...eco
um sonar, radar
coisa desse tipo.

ondas de som se propagavam
umas em diração às outras...
nossas vozes se cruzando
pelo espaço.

leve euforia
me percorreu.
seu corpo no meu
se envolveu.
tão
dentro
tão forte
e pulsante
e vivo.

há milhares de distâncias,
é possível estar assim tão perto?

sangrandas

sinto arrepio de emoção
quando penso seu sangue vivo,
derramado em palavras vivas
que cortam as páginas em branco.
elas sangram...
escrituras sangradas
vermelhas
vivas
vivas...vivas.


guia



ou  vendedor de contas

lembrei do gesto generoso.
eu não tinha dinheiro trocado,
ao invés de vender me ofereceu.

devia saber que tudo que é dado
vem em dobro,
às vezes em jorro.

protegida desde então
me sinto mais
feliz.

sobre perder

ou os dragões e o dirígivel

aconteceu.
te ler me emocionou novamente.
seu estilo prático,
faz parte do meu, enigmático.
minha escrita sugere o
multiplo recorte de minha visão.
o seu também, de um modo sintético.
mais puxado para a razão.
são assim as diferenças de estilo,
suplementares.
sairei, levarei comigo teu coração.
cuido bem dele.
pegarei o zeppelin e
irei ter com os dragões...

22.10.09

energia




esses dias a energia faltou, aqui no condomínio.
comecei a ouvir vozes de  gente conversando.
comecei a ouvir barulho de portas e portões se abrindo...
pessoas saindo de seus apartamentos.
de tempos em tempos a energia deveria faltar.
assim todos se lembrariam que a vida é uma ficção real, não só virtual.
assim todos retomariam o prazer cotidiano do contato com pessoas próximas que se tornam distantes.
eu, que já adoro, fui ler mais uma história para o meu filho.
fiquei a rir satisfeita, pensando no contato que pessoas que nem conheço estavam tendo.
já imaginou o mundo sem energia elétrica?
a vida seria mais local.
o mundo voltaria a ser maior.
nosso tempo voltaria para o lugar.
seríamos mais felizes?

21.10.09

funeral II

ou uma colaboração de "on ground"
Vendo aquele que entra em uma boate, após sair de seu carrão, que é bem recebido e aquele do outro lado da rua, jogado em um banco de praça, mal arrumado e ignorado pelo que parece ser.
Me perguntei:
_Se o nascimento e a morte são iguais para todos, porque temos vidas tão diferentes?
_É obvio! Respondo para mim:
_Os dois já nasceram mortos, mas só um deles sabe disso.
A dúvida é: 
_ Qual deles?


amo

é tão grande e forte
e tranquilo e teso
que posso estar só
com prazer
de me acompanhar.
esse amor me fez amar.


despedida

só de pensar um encontro
seu coração palpita mais forte.
sinte aquela sensação de borboletas.
sente-se mais viva.
o amor é assim...
 uma ausente presença.
vá para onde for.

olfato



sinto um cheiro dentro de mim.
aquele cheiro de boca.
aquele cheiro de pele.
aquele cheiro que tentam encobrir
com creme dental e perfumes.
gosto de tudo humano...
até dos odores.

funeral

ou o pato, a morte e a tulipa

um gemido de dor anuncia o fim de uma vida. fim no aqui, no agora. mais uma ida pelo avesso... saio de minha dor mar e mergulho na dor oceano dela. a vivência desse momento difícil transbordou força em ondas de amor. ao deitar em suas raízes, seu fruto filho mostrou ser maior do que se sabia...


Tema difícil a morte. Certeza eminente, mesmo assim, sempre nos surpreende .
Existe uma história linda...  "As intermitências da morte", de José Saramago.
Nela a morte que sente o que é vida,  se apaixona e não mata mais ninguém, provocando um caos na humanidade.
No livro "A grande questão" vários personagens respondem por que viemos ao mundo.
O passarinho diz que é para cantarmos nossa própria canção, o jardineiro diz que é para sermos pacientes, o marinheiro diz que é para navegarmos por todos os mares.
A pedra diz que é para estarmos aqui e pronto.
O pato diz não ter a menor idéia e a morte diz que é para amarmos a vida...
Essa mesma morte, reaparece em outro livro de Wolf Erlbruch.
Nele a morte aparece pela primeira vez para o pato que não fazia a menor idéia do que veio fazer no mundo.
A história começa por uma sensação de incomodo, uma inquietação...
O pato percebe que a morte está ao seu lado e descobre que ela tem um sorriso amigo, sendo até simpática  se esquecermos "quem ela é".


“ – Está com frio? – perguntou o pato. – Posso te esquentar?
Ninguém jamais havia feito a ela uma proposta parecida”.


Ao conviver com o pato a morte passa a sentir coisas boas e inúteis da vida como sentar lado a lado sem prescisar dizer nada ou subir numa árvore... enfim ela descobre que as melhores coisas da vida não devem servir para nada...


“Às vezes, a morte podia ler pensamentos.
- Quando você estiver morto, o lago também não vai estar mais lá – pelo menos não para você.
- Tem certeza? – perguntou o pato espantado.
- Certeza absoluta – respondeu a morte.
- Menos mal. Então eu não preciso ficar triste por ele quando...
- Quando você estiver morto – disse a morte.
Era fácil para ela falar sobre a morte.
- Vamos descer – pediu o pato depois de alguns instantes – a gente tem cada pensamento estranho em cima das árvores...”.


Um dia o pato sente frio e pede que a morte o esquente.
Ela o esquenta com o olhar.
Enquanto ele descansa, o carrega no colo com cuidado até o grande rio.


“E continuou olhando o fluxo do rio por um bom tempo.
Quando perdeu o pato de vista, por pouco a morte não ficou triste.
Mas assim era a vida”.




“E onde a tulipa entra nesta história?”. é a pergunta na contra-capa do livro...


A tulipa estava na mão da morte desde que ela apareceu para o pato.
É a flor que o acompanha  em sua jornada para além de morrer.
A tulipa vermelha representa o amor verdadeiro.
Aquele citado pela morte em "a grande questão", o amor que humaniza a morte no livro do saramago.


Viver, buscar sentido e morrer... nossas únicas certezas.
Certezas que nos fogem muitas vezes ao alcance...
Nos cabe então, construir sentidos muito próprios ao que se vive para morrer sempre em paz.




querida amiga, essa é minha maneira de dizer o quanto amo viver.
o quanto te amo e a tudo que você é.
Oiran, em sua vida, construiu sentidos intensos.
isso é viver para morrer em paz...
qualquer que seja a morte, em qualquer que seja o tempo.
amemos mais ainda a vida, em honra a ida dele pelo avesso para além de morrer.

20.10.09

pela net

ou conversa de elefante II


tive um raio de iluminação.
somos tão diferentes,
homens e mulheres.
a maioria de nós gosta de detalhar, entender o que se passa.
gostamos do diálogo.
a maioria deles gosta dos fatos, de clareza no que se quer.
gostam da ação.
acontece que numa relação, é preciso lidar o tempo todo com essa tensão.
ela explica em detalhes o que se passa, ele responde com um enigma:
"aproveite ou enlouqueça!"


"- ei, que cê tá fazendo?
 - tô aguando as plantas!
 -mas tá chovendo!!!
- e daí...? eu estou de guarda chuva...!"




(durante a tarde lendo sobre complexidade, pensei minha primeira aula na universidade.
levarei os estudantes para colher a verga.confeccionaremos, cada qual seu berimbau.
assim, apenas compartilhando o momento, falando o que vier como assunto, nos conhecendo um pouco.
essa será a metáfora do encaminhamento de minhas aulas.
estudar comigo vai ser o processo...) pequena digressão sobre a memória do vivido

fazia tempo que sabia ser grande
a liberdade de ser e existir.
o ritual do corpo,
o ritual do movimento,
o ritual da roda.
a possibilidade de contatar todo o sensorial,
liberando sensações, emoções e a criatividade.
estive saudosa...
lhe reencontrei.
de longe apreciei.
de perto cantei.
me sinto a vontade.
trajava vestido, ainda assim  o corpo soltou a ginga.
preciso dizer axé minha angola!
amor da minha vida.

(fazia tempo estava distante desse amor. o corpo travou.
 maneira tosca, mas certeira de se manter vivo. ficando imóvel.
hoje estive presente em parte dessa energia ancestral.
estive no circo. estive no treino da capoeira angola.) pequena digressão sobre o ocorrido

fui embora cantando bonito...

" apanha laranja no chão tico-tico,
se meu amor for se embora eu não fico...
panha laranja no chão tico-tico,
se meu amor for simbora eu num fico"

música

passei muito tempo
no silêncio das emoções
de dentro...
ouço.
me embalo...
danço.
no ritmo me lanço.


19.10.09

dança imóvel



movimento do corpo inquieto.
movimento distinto, descontínuo...
o sentimento começa aos poucos
dando a impressão
que deve ser muito prazeroso
fazer aquilo.
basta um gesto no final
e pronto o convite foi feito...

18.10.09

melancolia

"achava bonita a palavra escrita..."

enquanto se depilava com o aparelho cor de rosa, que usava para sentir um pouco de suavidade no ato cotidiano, pensava escrever um texto teatral.
para poucos seria o título...
um monólogo, dialogado com o público escolhido/convidado a participar do espetáculo.
começaria pela declaração de loucura, que por fazer parte do espetáculo pareceria ficção...
depois seria desfiada toda a linha da vida, aquela vida vivida e aquela filosofada, entre um estrondoso desastre e outro...
ao final a despedida, para nunca mais...
e ficariam todos a esperar sua volta, e ficariam todos aguardando para sempre...
e assim viveria eternamente na memória...

14.10.09

utopia

"foda-se tudo!
de qualquer sexo,
com qualquer cor,
de todas as formas.
amor é amor."

13.10.09

doçura


acordei com sabor do sorriso dela
que pode transformar toda água do mar...
não haveria mais sede nesse planeta...
tudo seria doce e potável 
tudo seria claro como olhos que sorriem.
viver seria sempre impeto como seu movimento.
por essa doçura, escancaro um sorriso para o dia que acorda claro e azul.

liberdade

muitas histórias passaram por minha cabeça.
todas elas tão boas...
pensei não escrever para torná-las realidades.
mesmo assim o medo não me assola.
ela chegou e pronto.
a dona-liberdade
é assim, insubordinada.

12.10.09

renascimento

hoje, fui além da minha própria dor.
o sofrimento me aquieta
e a combustão se completa.

hoje, renasci fênix.

fibra

quanta solidão...
ser uma flor amarela
no sertão.


sobre o tempo




quando se vive livre,
o limite da amplidão é solidão...
quando se vive preso,
o espaço reduzido parece companhia...
talvez pela confusão,
muita gente viva presa de seu medo...
da vida e da morte.
a duração do sentido é o que somos,
uma ampulheta sem tamanho, com diferentes medidas.

malícia





eu ando mansa, para não acordar o dia...

generosidade

ou sobre morrer

até na dor ela é generosa,
mesmo na despedida
ela promove encontros...
transborda de amor,
nos chamando a viver.

9.10.09

inspiração

ou no abraço faz passar a sensação de estar só
ou ainda sabor de fruta mordida

desde ontem, crio histórias boas e felizes...
existe um sentimento de encontro muito grande.
a inspiração é mútua.
existe reciprocidade.
sentimos prazer de viver...assim... simplesmente.
 nossos sentidos despertam para o que temos e não para o que nos falta.
nos damos bem...
espalhamos amor.

início

ou lado "n"

ao abraço sentiu o encontro.
por sua cabeça a imagem da "origem do amor"
ao olhar seu rosto se transformava...
só ouvia poesia de sua boca.
sentiu que o amor doi mas pode não machucar.
ontem, encontrou um pedaço de si...


6.10.09

pergunta


o que há de novo para descobrir?
toda porta é passagem.
levarei pouco na mala
a bagagem é a própria viagem.

água por todos os lados

tantas lágrimas...
na inação me fortalecerei
ou me afogarei...
na inação vencerei sucumbindo...
deixarei que tudo passe por mim.
ficarei como fica o poder da água
que se transforma num ciclo eterno.


defeito


ou pequena crônica sobre o gato e a crueldade social


vária vezes observei uma senhorinha levando seu lindo gato siamês, preso numa coleira, pra fazer cocô.
ela sempre o levava perto da garagem, numa área onde transitam pessoas e crianças...
um dia resolvi conversar com ela.
dei bom dia, e falei da observação que havia feito. perguntei se ela não achava um tanto inconveniente o lugar escolhido para seu gatinho cagar. visto que havia tantas outras áreas para suprir a necessidade do bichano... (vejam que nem ao menos lhe critiquei sobre o fato, ignorando meus próprios valores para falar com essa senhora, posto que ao meu ver animais domésticos devem fazer suas necessidades em casa... afinal são "domésticos" e se forem para rua que seus "familiares" recolham a sujeira... enfim... não disse nada!)
ela me respondeu que eu deveria cuidar da minha vida. que o gato era dela e que onde ele cagava não me dizia respeito.
fora outros impropérios... que não vem ao caso do relato, apenas a presença das palavras cocô, cagada e cagar, já dão o tom da merda que trata essa crônica...
fui embora entre perplexa e indignada...
como que por birra ela começou a se fazer presente todas as manhãs e tardes de meus dias, com seu gatinho cagando satisfeito...e a me olhar com cara de provocação...
lua cheia e eu também ... destemperei...
chegando em casa ela estava com o gato cagando ao lado da minha garagem, ao abrir a porta do carro tive que passar por sobre a merda do gatinho...
não pude me conter. perguntei o que havia de errado com ela... que mau exemplo ela estava dando...
em resposta ela me disse que a deixasse em paz... por que é que eu me preocupava tanto, que o gato dela cagava onde ela bem quizesse... que eu nem deveria estar aqui (tenho um sotaque diferente!) resumindo... uma chuva de novos e piores impropérios...
no outro dia fui procurar o sindico do condomínio... tentar resolver a situação, saber se aquela senhora tinha família, pedir desculpas por ter falado com ela em tom rude... cimentar toda a garagem enfim algo que solucionasse meu desejo de justiça.
nisso encontro uma moça que vem se aproximando e me pergunta porque eu perseguia sua mãe.
pedi que me acompanhasse até minha garagem... e lhe mostrei os montinhos de merda do gato...
ela me disse não estar vendo nada... apenas areia! porque é que eu implicava com o gato dela... haviam tantos gatos pelo condomínio...
lhe expliquei que não implicava com o gato dela, adoro gatos, nem com a mãe dela, adoro velhinhas, muito menos com ela que nem conhecia, adoro gente desconhecida, a questão era outra...e por ai foi nossa conversa, relatei a provocação, as cagadas matinais e vespertinas, não pude deixar, desta feita, de dizer o que penso sobre criar animais domésticos, me usando inclusive como exemplo, que não os criava mais justamente porque não podia mais manter o padrão de vida de um gato doméstico ( detefon, almofada e trato!).
parece que depois de um tempo da conversa ela continuou não entendendo do que eu falava... mas se comprometeu a não deixar o gatinho cagar no caminho... (percebam que pouco vai mudar, ele apenas não irá cagar mais na passagem da garagem... cagará  pelo condomínio... levado pelas mãos de seus familiares)
fui para casa aos prantos... ao encontrar com minha vizinha,  ela me perguntou o que eu tinha, disse estar muito cansada. ela toda consoladora começou logo a dizer que a vida é assim... que ela também passou maus bocados para criar os filhos...
lhe contei que não estava cansada do trabalho de cuidar de uma criança... isso era bom para mim...
estava cansada de me sentir mal entendida, falei do gato, falei dos vazamento no prédio, do som alto dos vizinhos... da pintura descascada do prédio, falei que todos tem carros, internet, tv a cabo, mais que não se importam com o lugar onde moram... era disso que eu estava cansada.
ela suspirou, e me disse para ignorar... é isso que  amaioria das pessoas deve  fazer sobre os problemas coletivos... ignorar!?
ignorar um comportamento é ignorar quem o tem...eu disse que não conseguia ignorar outro ser humano...
ela suspirou novamente e disse que eu iria enlouquecer então!
passei toda a manhã chorando e me sentindo louca... deslocada, no lugar errado...
queria conseguir sensibilizar as pessoas, mas elas não gostam do que falo, meus argumentos são inúteis para a lógica individualista ... elas gostam da opressão violenta, da crueldade e do esquecimento da condição humana.
o comportamento humano me parece estranho... meu próprio comportamento me parece estranho...
pretendo me lembrar disso, mas acabo sempre esquecendo... esse parece ser meu maior defeito.






5.10.09

palavras de amiga

ou minha contribuição para sua felicidade

a pergunta é: como você afastou o amor da sua vida?
acho isto o cerne da questão
da sua questão.

silêncio

tudo que escrevo,
é ouvido por mim.
tudo que ouço
é minha própria voz.

estranha

sei, pode parecer estranho...
mas me sinto regeitada
pelo mundo.

do que dizem

as coisas ao redor
me dizem todo o tempo,
que não me importo com nada!
saio pela casa
colocando as coisas em ordem.
repito um mantra:
- eu me importo! eu me importo! eu me importo ...ad infinintum...
olho satisfeita a organização!
vem uma voz lá de dentro
e diz que não...

bartar ser sincera

cada vez que me acalmo...
me ouço dizer o mesmo:
- a despeito de tudo, bastava você!

de novo

4.10.09

flutuação

a aparente estabilidade das coisas,é uma ilusão...
meditava sobre a garrafa flutuando...
a mensagem estava segura por dentro, mas por fora apenas incerteza...
meditava sobre as flutuações da vida...
impermanência, temporalidade...
meditava a respeito das coisas serem passageiras...
a garrafa agora seguia a corrente marítima mais forte...
alguém a encontraria?

2.10.09

traduzindo

nasci prá ser vagal...
boêmia...
 o prazer da noite me distrai.
ontem sai como gata de rua,
vagando, virando lata.
nasci para ser livre
até de mim.

1.10.09

mistura


não misture amor e ódio.
seus pensamentos são só seus...
seu coração é só seu...
em todo lugar tem um homem prá te falar de amor...
não leve o que não é seu...
você pode ver seu rosto, mas não seu coração...

30.9.09

saudade


hoje quero seu olhar no meu,
dizendo sem palvras que a vida é linda!
que mais posso querer se a vida é bela e linda...
que eu quero mais se eu sei que estou de bem com a vida te esperando chegar...
todinha linda te esperando chegar
prá te dizer no olhar, sem palavras, que a vida é linda.

28.9.09

narapoia

ou ornitina decarboxilase
ou ainda a fórmula química da felicidade


-tinha uma doença muito grave.delirava e estava convencida que toda gente lhe queria bem.
será que poderia ser curada?
-claro que sim! disse o especialista que foi consultar.
- sua doença deriva de seu nome, ou melhor de como você é chamada pela maioria das pessoas, um monossilabo um tanto infantil e pequeno em relação ao seu desejo de viver. doravante te chamaras e te chamarão por teu próprio nome!
desde então sentia-se bem melhor. infelizmente essa melhora não durou muito tempo. pessoas demais insistiam em chama-la pela alcunha da infância.
assim a convicção delirante de que toda gente lhe queria bem voltou e teve uma recaida.
vive sorrindo e querendo bem à toda a gente em retribuição ao querer bem que lhe sentem...

fragmentos

só aos pedaços podemos viver.


05/08/2005

sonho



ele disse que tinha medo de se magoar.
seu olhar era de amor.
seus lábios macios, seu calor terno.
beijos, abraços, palavras...
ele apareceu assim tão real que a deixou em paz.
esqueçeu de tudo e o amou novamente.

25.9.09

promessa




se você for a pessoa mais parecida comigo só que do lado do avesso...
se você me encontra...
te reconheço!

natureza

sai do mar e vim brincar na areia...
sou linda sereia...



me guio hoje e sempre pelas voltas que o mundo dá.

24.9.09

crescimento


ouviu o silencioso crescimento...
percebeu o processo ocorrendo.
como uma flor que se abre.
vê suas expressões e se espanta.
ouve sua voz e se encanta.
cada dia que passa, mais surpresas.
junto com elas seu amor cresce ...
estão, mãe e filho, em fase de crescimento.

23.9.09

risíveis amores


ou at ustoupi stari mrtvi mladym mrtvym

o livro risíveis amores, é composto por sete contos primorosos que tratam da incapacidade humana de comunicar-se com os outros e consigo mesmo.
são amores mais trágicos que risíveis, posto que nunca chegam à níveis mais profundos de comunicação e se distanciam cada vez mais de um autêntico entendimento entre os que se amam.


" ah, senhoras e senhores, como é triste viver quando não se pode levar nada a sério,
 nada e ninguém!"

.vale a pena ser lido.

21.9.09

13 anos



você me sente eu sei que você me sente...


beijo quente, ardente...


como aquele que darei ao acordar com você


pela primeira vez e sempre...

20.9.09

convite

hoje?
vou sair comigo!

comidinha



nunca senti nada igual!
eu na minha frente...
gozando na cozinha!

16.9.09

transformação social

Estou convencida que a transformação social e mesmo a construção de valores éticos permanentes se dá a partir de pertencimento. A família deveria cumprir um papel fundamental na mediação necessária para que o indivíduo possa se localizar nessa coletividade com total consciência de seu poder de agente transformador, conhecendo seus deveres e acessando plenamente seus direitos básicos.
A família (e quando digo família, não falo da convencional apenas, falo de pessoas que perpetuam a existência humana através da maternidade e da paternidade biológica ou assumida) deveria agir na criação e oferta de condições propícias ao desenvolvimento dos talentos de seus membros.


"O psicanalista Hélio Pellegrino traduziu bem a relação da formação do indivíduo como agente coletivo, apontando a estreita ligação entre o pacto social e o pacto edípico e, assim, revelando como o estado reproduz, em sua escala, a estrutura da família. No pacto edípico, que trata da tensão entre pai e filho, o pai é a norma, o limite, a lei, o contrato. Em contrapartida, é ele quem introduz o filho na vida social, que lhe dá segurança, afeto, amor. O pai exerce o papel de pedagogo da convivência social. Não só provê, dá segurança material como também a segurança afetiva que permite ao filho enfrentar os desafios dessa convivência. Em paralelo, afirma Pellegrino, o Estado exerce o mesmo papel na dimensão ampliada. O Estado regula. Com a lei, cerceia nosso lado mais sombrio. Ao mesmo tempo, o Estado também possibilita o convívio social em bases racionais, éticas, dignas. Ele deve possibilitar que seus cidadãos desfrutem da vida, da cultura, do lazer ao assegurar os direitos básicos para alimentação da família, o direito à assistência social em caso de desemprego ou sub-emprego. Tem de assegurar o direito ao trabalho, educação, saúde, segurança. Manter a base de formação de nossa cidadania significa dar estrutura para nossa referência primeira, nosso espaço de formação primeiro que é justamente o espaço familiar."


No livro “Um rio chamado Tempo, uma casa chamada Terra”, do moçambicano Mia Couto, o narrador faz o seguinte comentário sobre seu lugarejo: “Em Luar-do-Chão, nem há palavra para dizer ‘pobre’. Diz-se ‘órfão’. Essa é a verdadeira miséria: não ter parente”. Penso que a falta de parentes é o grau último da miséria. É quando já perdemos tudo, inclusive nossas referências e o braço que nos ampara e dá forças para enxergar as alternativas e seguir em frente".

14.9.09

renascimento

sentia-me sempre muito só.
estava sempre comigo mesma.
eu, um espaço enorme para ocupar sozinha.
com o que e da forma que quisesse.
fiquei confusa. me perdi.
no caminho encontrei minhas raízes.
raízes não se arracam. dever ser aceitas e compreendidas.
delas se libertar para ser livre.
livre veio a solidão e o medo.
estava aprendendo a ser só, a só ser.
ainda não juntei minhas partes perdidas.
amor e prazer.
faço sexo de forma intensa, sensual e prazerosa.
mas amar...
sinto uma saudade imensa do amor que nunca me permiti.
estou no caminho, posto que quero e permito.
morrer e nascer são processos impiedosos e solítários.
desvelar a ilusão que o outro é a felicidade, o abrigo, o aconchego.
tudo passa menos eu.
no encontro comigo me encontro com nada.
e nada é ser consagração e comunhão.
ser-se templo da divindade.

nada

ou praticar o estado de consciência de apenas Ser

" meditem sobre nada.
quando meditamos sobre nada, estamos meditando sobre a existência mesma.
existem muitas abordagens à meditação sobre apenas Ser ou meditação sobre Nada. essas meditações visam criar um estado de desligamento, algumas vezes chamado de "criando o silêncio"

pintando sua alma

Estado Patriarcal

Ou família e cidadãos


Ao entrar no prédio de arquitetura requintada e divisórias sujas de compensado, pressentiu o paradoxo da situação.
A atendente estava felicíssima ao telefone, contando para alguém sobre os livros que estava lendo. Falava animadamente como se estivesse em sua casa. Ao vê-la entrando continuou conversando e a atendeu de maneira nada acolhedora.
- É boletim de ocorrência? É só sentar ai!
Ao seu lado uma senhora aguardava.
A atendente fazia outra ligação, quando a srª perguntou algo e não obteve uma resposta. Então olhando para ela disse:
- Como será que faz pra desfazer?
- Desfazer o que srª?
- Minha filha, dei queixa faz cinco anos... agora é que me chamam aqui? Se fosse pra morrer já tava morta. Devia ter um jeito de desfazer...
Perplexa estava, perplexa continuou.
Abre-se uma porta e um homem pergunta:
- É B.O.?
Entre chocada e intimidada, balança positivamente a cabeça.
Entra e senta numa sala encardida, feia e com papéis de bala de hortelã pelo chão, próximo a mesa.
- O que aconteceu srª?
Relata o ocorrido.O homem ouve e começa a falar:
- A srª sabe que a lei “Maria da Penha” é rígida. A Srª tem todo direito de registrar a queixa, mas sabe que o agressor pode até ser preso. Se fizerem qualquer levantamento criminal, no caso de trabalho, vai aparecer na ficha dele. Bom, é só pra Srª saber. Vai querer mesmo registrar?
- Meu sr, estou muito chocada! A questão não é só criminal. É ética. A “justiça” é perversa nesse sentido. Punição faz mudar sentimento e atitudes? Punição muda o machismo?
- É srª, entendo o que diz... estou falando só para esclarecer. a srª tem todo direito de registrar a queixa... sabe, até agora temos o montante de uns 2.500 registros de violência doméstica. Até o final do ano deverá chegar a 4.000. bem a srª faça o que achar melhor...
-Não meu sr., não vou registrar...

Saiu de lá pensando sobre seus próprios valores, distorcidos em relação a sociedade que vivia, sentindo por fazer parte de uma sociedade onde justiça é punição. Justiça para ela significava cuidado, participação, disponibilidade, segurança e amor.
Saiu de lá disposta a mudar a sociedade, saiu de lá mudada para sempre...

13.9.09

a cor do paraíso

tocaremos a mão de algum "deus"?

12.9.09

mundo perfumado

" o mundo não está unido porque o ser humano acha que a igualdade une.
na verdade, o que faz o mundo se unir é a diferença.
o perfume do mundo sáo as diferenças unidas.
viva a diferença!"
andré abujamra

desespero

a tortura é como um anzol, nos fisga os sentidos.
tudo que se faz é debater em vão...

não estamos mais nesse dilema.
entre o sofrimento e o poema.

11.9.09

prece

ou a fonte

vi meninas no ônibus cantando...
suas expressões continham o frescor da juventude e a disposição inútil para descobrir como ser feliz.
o tempo beliscou minha memória.
lembrei da sensação...
saboreei de suas alegrias...
fazia tempo não ouvia
letra de música que diz exatamente o que você quer dizer...
puro clichê!
" são as pequenas coisas que valem mais..."

descobrindo o descobrimento do brasil...

monstro

o monstro me diz:
farei você duvidar.
farei de você sempre criança em busca de cuidados alheios.
farei você sempre procurar aprovação.
farei você sempre desejar o homem errado.
farei você perder sempre o foco.

eu digo para o monstro:
vai se fuder monstro safado!
seu papo de monstro não cola!
descobri de onde vem sua voz!
você não me assusta mais!

o monstro sai de fininho com medo de mim!

covardia

mal trato,indisponibilidade, intolerância.
abuso e pressão psicológica.
homens covardes escondem esse traço do caráter na violência.
são pessoas que não se amam.
descobri que os covardes machucam.
em natal, uma média de 4.000 mulheres,
são vítimadas com a violência de homens que deveriam ser seus companheiros.
mas ao contrário são seus torturadores.
tudo causa de desequilíbrio.
nossa sociedade é perversa em relação aos papéis sociais de homens e mulheres.
homens e mulheres são ambos provedores, protetores, sensíveis e nutridores.
somos polaridades opostas e devemos nos harmonizar.

9.9.09

espelho

09
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09/09/09 - "movimento do amor" - 03x09 = 27 = 09/09/09
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09

justiça

" difícil! difícil! difícil!
o caminho é muito obscuro.
o Elixir Dourado deve ser secreto e sagrado.
ensinar os mistérios escuros para o homem imperfeito
é confundir o maxilar, confundir a língua,
e cansar o cérebro."

" está fórmula, sagrada e verdadeira.
administre e poupe as forças vitais,
isso apenas você deve fazer.
em espírito, essência, respiração
os poderes sagrados residem.
guarde-os e proteja-os, não deixe
que outros estejam cientes.
mantenha-se no Caminho e o Caminho o manterá estável."
aprenda as fórmulas, lembre-se dos encantamentos.
a lua contèm o Coelho de Jade, o Sol, um Corvo Dourado, Tartaruga e Serpente firmemente seguros para sempre em secreto abraço.
fortemente entrelaçadas, as forças internas e externas se fortalecem.
capte os Cinco Elementos, transponha, transforme, trancenda.
quando isso for alcançado, você será Buda ou imortal, depende de você."

macaco - uma jornada para o oeste

hoje dia cabalistico, lancei minha clava de justiça.
a fórmula só eu sei.
para quem não entende parece estranho.
mas sei que minha percepção é ampliada.
sou libertária e aprendo a lutar com armas repressoras.
não haverá mais conflito.
serei justa, seguirei meu coração.
o amor só é caminho de transformação para quem se ama.

8.9.09

sabedoria

minha mãe diz:
- tem ser humano que veio aqui para ser... eu vim aqui para ver!
- que deleite de mãe...

globalização

minha vó dizia:
- o mundo tá furado...

sábia minha vó!

diamantes



jamais darei diamantes a nínguem como prova de amor
eles são conseguidos com sangue...
mas continuo tirando flores do meu jardim...
porque será?

7.9.09

frida

a gente pode suportar mais do que imagina
todo mundo sente:
estamos sós e sofrendo...
só posso continuar trabalhando...

6.9.09

lugar

ao chegar percebeu
que o lugar era uma parte dela.
uma curva de rio nas curvas do corpo.
sentiu-se à vontade, sorriu.
se entregou ao deleite
de sua própria natureza...

aproximação

quando se tem o hábito,
da liberdade
por mas que feliz
não sacia mais.

meus olhos vermelhos,
sorriem o encontro.
posso sertir você se aproximando...

5.9.09

determinação





" a minha teimosia é uma arma"...

passarinho



eu passo...
passarinho!

alinhamento

os planetas se alinharam novamente.
acontece nesse período uma maior harmonia.
mais que amor...
encontro.

teimosia dos astros...
teimosia dos astros...

felicidade



conhecia por aqueles dias a felicidade.
aquela que sentida,
cria a certeza de que existe sentido
para as coisas dessa vida.
nada de volumoso ou aparente.
se lua cheia, cultuava.
se primavera, floria.
acarinhada se abria...

3.9.09

poço

ou não desperdice...

a imagem de um poço,é uma imagem particularmente positiva,nos conduz à idéia de que, cavando, encontraremos recursos abundantes.
o poço, na cultura chinesa, representa uma fonte inesgotável ou, ao menos, uma fonte abundante que dura muito tempo.
é necessário identificar a melhor região para construí-lo.
onde, exatamente, é preciso cavar?
o poço é a metáfora de nossos talentos.

incondicional

ou a busca do amor fora de si

é hora de verter este amor para si próprio.
cuidar - se, dar mais atenção às próprias questões.
fazer alguma forma de "terapia do amor incondicional"
cuidar da vida...
para ser possível dar o que se tenha em abundância,compartilhar...

2.9.09

a menina

é a menina que suspira brisa,
que exala flores e sorri amores,
que anda em nuvens,
que beija amigos.
tem os braços de pluma e os olhos de lua.
leva consigo todos os sonhos do mundo.
ama porque gosta,
sorri porque pode.
caminha sem pressa e se perde entre ventos.
gosta de noite, doces e travesseiros.
se joga do alto, pula sem medo, cai sem culpa.
tem o peito aberto e o abraço certo
e seus sentidos são janelas para o mundo.

visitando a apresentação de patrícia

sentidos

viram imagens (fixas e móveis)
ouviram música e palavras
tomaram cerveja e capuccino
inspiraram erva e mirra
fizeram amor

eles mexeram com todos os sentidos...

1.9.09

comentário

ou como faço prá colocar lá em casa?

mudando coisas em casa, um amigo que entende de energias...falou ter quase tudo... só faltava um peixe...
sai toda cerelepe e mostrei meu peixe de vidro.
sorrindo... ele disse: tava falando de um aquário!

noite

- quer um suco?
- não, agradecida.(me oferece outra coisa... pensou com voz graciosa e safada.)
como que ouvindo seus pensamentos, ele então, ofereceu a mão em seus cabelos...
ela retribuiu o carinho.
assim foram se oferecendo numa noite sem fim...

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