prazer de praticar o discurso.
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26.10.10
12.2.10
respiração
esqueço quase um tudo...
só não esqueço meu corpo.
esse abrigo ou escudo.
respiro fundo...
e não me iludo.
5.2.10
homo
ou para o diabinho branco
"Trata-se de um ser de uma afetividade imensa e instável, que sorri, ri, chora, um ser ansioso e angustiado, um ser gozador, embriagado, estático, violento, furioso, amante, um ser invadido pelo imaginário, um ser que conhece a morte e não pode acreditar nela, um ser que segrega o mito e a magia, um ser possuido pelos espíritos e pelos deuses, um ser que se alimenta de ilusões e quimeras, um ser subjetivo cujas relações com o mundo objetivo são sempre incertas, um ser submetido ao erro, ao devaneio, um ser híbrido que produz a desordem. E como chamamos loucura à conjunção da ilusão, do descometimento, da instabilidade, da incerteza entre real e imaginário, da confusão entre subjetivo e objetivo, do erro, da desordem, somos obrigados a ver o Homo sapiens como Homo demens." Edgard Morin
somos todos demônios
25.1.10
comunhão
ou querências
a sonoridade
do olhar por instantes de profundo silêncio,
sinceridade sem palavras...
simples assim amor, pois quero outras coisas.
29.10.09
distância
estar fora de si,
leva tão para dentro.
fica longe
qualquer encontro.
para dentro
é tanta estrada
que permite chegar
em você.
de tempos em tempos
se encontrar e perder,
necessários movimentos
necessários movimentos
de crescer.
21.10.09
funeral
ou o pato, a morte e a tulipa
um gemido de dor anuncia o fim de uma vida. fim no aqui, no agora. mais uma ida pelo avesso... saio de minha dor mar e mergulho na dor oceano dela. a vivência desse momento difícil transbordou força em ondas de amor. ao deitar em suas raízes, seu fruto filho mostrou ser maior do que se sabia...
Tema difícil a morte. Certeza eminente, mesmo assim, sempre nos surpreende .
Existe uma história linda... "As intermitências da morte", de José Saramago.
Nela a morte que sente o que é vida, se apaixona e não mata mais ninguém, provocando um caos na humanidade.
No livro "A grande questão" vários personagens respondem por que viemos ao mundo.
O passarinho diz que é para cantarmos nossa própria canção, o jardineiro diz que é para sermos pacientes, o marinheiro diz que é para navegarmos por todos os mares.
A pedra diz que é para estarmos aqui e pronto.
O pato diz não ter a menor idéia e a morte diz que é para amarmos a vida...
Essa mesma morte, reaparece em outro livro de Wolf Erlbruch.
Nele a morte aparece pela primeira vez para o pato que não fazia a menor idéia do que veio fazer no mundo.
A história começa por uma sensação de incomodo, uma inquietação...
O pato percebe que a morte está ao seu lado e descobre que ela tem um sorriso amigo, sendo até simpática se esquecermos "quem ela é".
“ – Está com frio? – perguntou o pato. – Posso te esquentar?
Ninguém jamais havia feito a ela uma proposta parecida”.
Ao conviver com o pato a morte passa a sentir coisas boas e inúteis da vida como sentar lado a lado sem prescisar dizer nada ou subir numa árvore... enfim ela descobre que as melhores coisas da vida não devem servir para nada...
“Às vezes, a morte podia ler pensamentos.
- Quando você estiver morto, o lago também não vai estar mais lá – pelo menos não para você.
- Tem certeza? – perguntou o pato espantado.
- Certeza absoluta – respondeu a morte.
- Menos mal. Então eu não preciso ficar triste por ele quando...
- Quando você estiver morto – disse a morte.
Era fácil para ela falar sobre a morte.
- Vamos descer – pediu o pato depois de alguns instantes – a gente tem cada pensamento estranho em cima das árvores...”.
Um dia o pato sente frio e pede que a morte o esquente.
Ela o esquenta com o olhar.
Enquanto ele descansa, o carrega no colo com cuidado até o grande rio.
“E continuou olhando o fluxo do rio por um bom tempo.
Quando perdeu o pato de vista, por pouco a morte não ficou triste.
Mas assim era a vida”.
“E onde a tulipa entra nesta história?”. é a pergunta na contra-capa do livro...
A tulipa estava na mão da morte desde que ela apareceu para o pato.
É a flor que o acompanha em sua jornada para além de morrer.
A tulipa vermelha representa o amor verdadeiro.
Aquele citado pela morte em "a grande questão", o amor que humaniza a morte no livro do saramago.
Viver, buscar sentido e morrer... nossas únicas certezas.
Certezas que nos fogem muitas vezes ao alcance...
Nos cabe então, construir sentidos muito próprios ao que se vive para morrer sempre em paz.
um gemido de dor anuncia o fim de uma vida. fim no aqui, no agora. mais uma ida pelo avesso... saio de minha dor mar e mergulho na dor oceano dela. a vivência desse momento difícil transbordou força em ondas de amor. ao deitar em suas raízes, seu fruto filho mostrou ser maior do que se sabia...
Tema difícil a morte. Certeza eminente, mesmo assim, sempre nos surpreende .
Existe uma história linda... "As intermitências da morte", de José Saramago.
Nela a morte que sente o que é vida, se apaixona e não mata mais ninguém, provocando um caos na humanidade.
No livro "A grande questão" vários personagens respondem por que viemos ao mundo.
O passarinho diz que é para cantarmos nossa própria canção, o jardineiro diz que é para sermos pacientes, o marinheiro diz que é para navegarmos por todos os mares.
A pedra diz que é para estarmos aqui e pronto.
O pato diz não ter a menor idéia e a morte diz que é para amarmos a vida...
Essa mesma morte, reaparece em outro livro de Wolf Erlbruch.
Nele a morte aparece pela primeira vez para o pato que não fazia a menor idéia do que veio fazer no mundo.
A história começa por uma sensação de incomodo, uma inquietação...
O pato percebe que a morte está ao seu lado e descobre que ela tem um sorriso amigo, sendo até simpática se esquecermos "quem ela é".
“ – Está com frio? – perguntou o pato. – Posso te esquentar?
Ninguém jamais havia feito a ela uma proposta parecida”.
Ao conviver com o pato a morte passa a sentir coisas boas e inúteis da vida como sentar lado a lado sem prescisar dizer nada ou subir numa árvore... enfim ela descobre que as melhores coisas da vida não devem servir para nada...
“Às vezes, a morte podia ler pensamentos.
- Quando você estiver morto, o lago também não vai estar mais lá – pelo menos não para você.
- Tem certeza? – perguntou o pato espantado.
- Certeza absoluta – respondeu a morte.
- Menos mal. Então eu não preciso ficar triste por ele quando...
- Quando você estiver morto – disse a morte.
Era fácil para ela falar sobre a morte.
- Vamos descer – pediu o pato depois de alguns instantes – a gente tem cada pensamento estranho em cima das árvores...”.
Um dia o pato sente frio e pede que a morte o esquente.
Ela o esquenta com o olhar.
Enquanto ele descansa, o carrega no colo com cuidado até o grande rio.
“E continuou olhando o fluxo do rio por um bom tempo.
Quando perdeu o pato de vista, por pouco a morte não ficou triste.
Mas assim era a vida”.
“E onde a tulipa entra nesta história?”. é a pergunta na contra-capa do livro...
A tulipa estava na mão da morte desde que ela apareceu para o pato.
É a flor que o acompanha em sua jornada para além de morrer.
A tulipa vermelha representa o amor verdadeiro.
Aquele citado pela morte em "a grande questão", o amor que humaniza a morte no livro do saramago.
Viver, buscar sentido e morrer... nossas únicas certezas.
Certezas que nos fogem muitas vezes ao alcance...
Nos cabe então, construir sentidos muito próprios ao que se vive para morrer sempre em paz.
querida amiga, essa é minha maneira de dizer o quanto amo viver.
o quanto te amo e a tudo que você é.
Oiran, em sua vida, construiu sentidos intensos.
isso é viver para morrer em paz...
qualquer que seja a morte, em qualquer que seja o tempo.
amemos mais ainda a vida, em honra a ida dele pelo avesso para além de morrer.
12.10.09
generosidade
ou sobre morrer
até na dor ela é generosa,
mesmo na despedida
ela promove encontros...
transborda de amor,
nos chamando a viver.
até na dor ela é generosa,
mesmo na despedida
ela promove encontros...
transborda de amor,
nos chamando a viver.
24.9.09
crescimento
ouviu o silencioso crescimento...
percebeu o processo ocorrendo.
como uma flor que se abre.
vê suas expressões e se espanta.
ouve sua voz e se encanta.
cada dia que passa, mais surpresas.
junto com elas seu amor cresce ...
estão, mãe e filho, em fase de crescimento.
5.9.09
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