20.6.10

o caminho do ritual no curso do rio

de ontem

sem palavras, vão se entendendo...

música nos muros

dos tempos de sujeitada,
mais nada.
sujeita, toda, essa moça
conhecia o sentido do dia.
o azul do céu,
era o azul do céu
sendo azul do céu em potência.
todas as cores do dia se eram.
tudo assim, percepção.

18.6.10

luz e mistério

o presente
está nos levando além...


Oh! Meu grande bem/Pudesse eu ver a estrada/Pudesse eu ter/A rota certa que levasse até/Dentro de ti/Oh! meu grande bem/Só vejo pistas falsas/É sempre assim/Cada picada aberta me tem mais/Fechado em mim /És um luar/Ao mesmo tempo luz e mistério/Como encontrar/A chave desse teu riso sério /Doçura de luz/Amargo e sombra escura/Procuro em vão/Banhar-me em ti/E poder decifrar teu coração /És um luar/Ao mesmo tempo luz e mistério/Como encontrar/A chave desse teu riso sério/Oh grande mistério, meu bem, doce luz/Abrir as portas desse império teu/E ser feliz.

sono


adoro dormir depois dele
adoro acordar mais cedo.
seu sono me acalma.
sua respiração
me inspira.
tão profunda...
quando me concentro bastante
vejo de relance seus sonhos.
menino lindo que dorme e acorda.
menino lindo que me despertou de um sono profundo...
te amo, meu amor.



caio fernando de abreu

quedei ao seu encontro...
muito prazer!

15.6.10

silêncio visual

na palavra escrita
vejo as imagens
do que não foi dito.
bendito hiato-maldito buraco
do que falta e do que sobra
na linguagem.

a tempestade

existe algo na vida
que me consome
tanto quanto
me inflama.

mágoas passadas
criam nuvens pesadas.
chovo tanto que as afogo.

dia desses 
se aproxima um anjo de mim.
diz amém
e essa tristeza
que vem com o frio
e com a chuva
tem fim.

"é complicado estar só/ quem está sozinho que o diga/ quando a tristeza é sempre um ponto de partida/ quando tudo é solidão/ é preciso acreditar num novo dia..."

despassito

não sinto mais nada.
e ainda sinto tudo.

we fuck alone

surreal...

11.6.10

chacra

entregue ao sol
entre arvores,
no meio do caminho.
cerrou os olhos e
abriu um dos três.
ficou tudo ambar.

alimento

transformar em comida
minha fome.
segredando ao fogo
o que me arde.

cardamomo

parece um bago de trigo,
ou grão de arroz graudo com casca.
quando abre tem cheiro do gosto de gengibre.
as sementinhas irregulares se agrupam e parecem uma coisa feia.
a surpresa mesmo é o sabor suave mesmo refrescante e ardido.
contrasenso?
experimente.

de uma sodade

escadas do infinito
sobre
mar profundo  de
azul noite cobato.
estrelas, brilho dos teus olhos.
teus olhos diamante bruto
insistem brilhar intenso.

bizarro

um homem vestido de coelho, comendo uma boneca inflável...
uma mulher sendo comida por uma cenoura.

ambivalência

quando ele se dava como fêmea,
ela o possuia como macho.

chama

o fogo
é um elo
entre o vermelho,
o azul
e o amarelo.


8.6.10

sol



a visão do Dia
iluminou o silêncio
do meu coração.

1.6.10

abrigo amoroso

sua casa tem cores, como ela amores.
quase todas as paredes são brancas.
branco impuro.
portas e janelas
numa distribuição irregular de cores.
porta da sala amarela angola
janela da sala vermelho reluzente
porta da cozinha amarelo angola
janela da cozinha amarelinho luz
porta da biblioteca branca
janela da biblioteca branca
porta do quarto dele azul céu gostoso
janela do quarto dele azul céu gostoso
porta do quarto dela lilás espiritual
janela do quarto dela lilás espiritual
(no vão do meio da janela, se movimenta uma mandala amarela luz do sol, feita em crochê por ela)
porta do banheiro verde pureza
janela do banheiro verde pureza
regularidades nas combinações.
nas paredes, desenhos e alguns poucos quadros.
lembretes.
a casa dela é como o grande amor.
um abrigo.


esperança viva que o sangue amansa/vem lá do espaço aberto/e faz do nosso braço/um abrigo/que possa guardar/a vitória do sentimento claro/vencendo todo o medo/mãos dadas pela rua/num destino de luz e amor/vem agora quase não há mais tempo/vem com teu passo firme/e rosto de criança/a maldade já vimos de mais/olha/sempre poderemos viver/em paz/em tempo/tento a fazer pelo nosso bem/iremos passar/mas não podemos nunca esquecer de mais álguem/que vem/simples inocentes a nos julgar/perdidos/as iluminadas crianças/herdeiras do chão/solo sagrado/não as ruínas de um caos/diamantes e cristais/não valem tal poder/contos de luar ou a história dos homens/lua vaga vem brincar/e manda teus sinais/que será de nós/se estivermos cançados/da verdade/do amor/esperaça viva/que a mão alcança/vem com teu passo firme/e rosto de criança/a maldade já vimos de mais.

30.5.10

pradoxo I


 me duvido
o tempo todo...


memórias de uma esquizofrênica atriz


A VOZ e
ELA

escrevo por que me penso.
escrevo para me ouvir no teatro.
tudo que escrevo, na maior parte do tempo estou representando.
imagino as falas que as frases escritas dão o mote...
ouço risadas...
meu palco é tragicômico.
é tão cru que assusta, tem vezes um pouco
(quando eu ler amanhã vai parecer torto...)
delírio deleitoso
meu palco é para poucos...
gosto de ver meu corpo
(narcisa sob medida.)
casa-casca-carnal...
sou inteira com o de dentro.
polpa-sumo-canal.
represento o tempo todo...
na palavra
na fala
na imagem.
sempre atuação.



paradoxo

tenho asas...
mas os pés,
estão no chão.


29.5.10

prefiro me explicar

... mas alguma coisa acontece no quando agora em mim...



esquizo


ouvir vozes é normal.
o problema é quando voce responde...


mangue


coração
de lama...
manancial
de amores.



27.5.10

deserto

em duna o melange,
em mim o orgone.
por fora tudo seca,
 por dentro
 muita água.

hipocrisia



























































na minha casa todo mundo fuma...
menos eu!



" na minha casa, todo mundo samba, todo mundo é breque, todo mundo é bamba"...

revolução dos bichos


ou as crises da existência

a primeira crise existêncial que recordo foi aos 9 anos, quando li a revolução dos bichos de george orwell.
fiquei pensativa, sentindo indignação e descrença.
como a história acabava assim?
a grande revolução provocada pelos animais da fazenda terminou, com novos tiranos no poder.
"os porcos são diferentes dos outros animais"...
...foi a primeira vez que tive um tipo de consciência sobre a condição humana.

25.5.10

it

... e eu estava só. sem precisar de ninguém. é difícil porque preciso repartir contigo o que sinto. o mar calmo. mas à espreita e em suspeita. como se tal calma não pudesse durar. algo está sempre por acontecer. o improvisado e fatal me fascina. já entrei contigo em comunicação tão forte que deixei de existir sendo. você tornou-se um eu. é tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. é tão silencioso. como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? dificílimo contar: olhei para você fixamente por uns instantes. tais momentos são meu segredo. houve o que se chama de comunhão perfeita. eu chamo isso de estado agudo de felicidade. estou terrívelmente lúcida e parece que alcanço um plano mais alto de humanidade. ou desumanidade - o it.

24.5.10

inverso

hoje tem agonia...
tem teto preto,
parede preta,
escuro.
tem tristeza e dor.
hoje, tem um buraco enorme
nas paredes desse corpo memória.



id

ida
idade
ideal
idealismo
idealizar
idear
idéia
idem
idêntico
identidade
identificação
identificar
ideograma
ideologia
idílio
idioma
idiomatismo
idiossincrasia
idiota
idiotia
idiotice
idiotismo
idólatra
idolatrar
idolatria
ídolo
idôneo
idos
idoso.

" a sua idiotice, não lhe deixa ver... que eu te amo"...

a hora do cansaço

o movimento sem fim de arrumar a casa, sempre me surpreende.
guardo papéis para lembrar as sensações das coisas que esqueço...
tenho quase certo que foi um professor muito querido que me enviou esse poema do drumond.
tenciono me desfazer dos papéis, livros e pequenos objetos.
meus relicários.
tão difícil me esvaziar das palavras.
desde pequena amo livros.
passava horas na biblioteca pública, nem sempre lendo.
muitas vezes quedava distraida nos detalhes das capas, texturas, cores, títulos.
ainda hoje é assim. há livros que me enfeitiçam.
amar palavras ocas de sentido por vezes cansa.

hoje acordei cansada.


20.5.10

celebração

...quero desejar, antes do fim, para mim e os meus amigos, muito amor e tudo mais, que fiquem sempre jovens e tenham as mãos limpas e aprendam o delírio com coisas reais...


19.5.10

vida


" abra os braços e crie seu mundo"

17.5.10

música

 é hu(A)mor.



sinceramente eu não sei quem dança mais nessa vida.../se os sentimentais, os canalhas ou os canalhas sentimentais./se as histéricas, as inteligentes ou as lindamente burras./eu só acredito nos deuses que dançam,
seja no terreiro, nas núvens ou na pista./não economizem seus calçados, seus pés, suas dobradiças.
nega contigo eu me derreto qual manteiga, porque eu tenho, tú tens, ele tem...

dedo-de-moça


pimentas pareciam flores...
na minha visão.


14.5.10

www

pensei agora,
que existe intimidade
no espaço virtual
da rede de computadores mundial...

12.5.10

com e sem

ummmm sooooooooonnnnnnnhhhhhhoooooooo rrrrrrreeeeeeeeeeallllllllllll...





... mas compreendi, que, além de dois existem mais...

9.5.10

exinterior

lá fora,
 vejo o que é para mim,
lá dentro...

8.5.10

aflição

escrever com prazo é algo assim que me aflige...
fico solta no turbilhão das palavras que se me apresentam 
para dizer do indizível que se quer fazer comunicável...(?)
na rota de fuga... desesperada, corro para um livro da estante.
cilada!
abro a página e a outra diz de mim.
mágica se faz...
vou lendo as palavras que ganham sonoridade...
"corro perigo como toda pessoa que vive,
e a única coisa que me espera
é exatamente o inesperado..."
que o deus venha antes que seja tarde...
pois tenho um prazo!


"um mundo fantástico me rodeia e me é...sou uma fruta roida por um verme. e espero o apocalipse orgásmico...sou em transe. que febre: não consigo parar de viver."

5.5.10

daimons

anacrônicos e absurdos...

na pele

lá fora toda água
da incessante chuva  poderosa,
dizia do milagre de ser quem se era
antes de saber ser-se.


4.5.10

sexo-para-evitar-o-vazio-do-desespero


frívolo arquejo epiderme a epiderme.
a maioria vai para cama, mas não acontece nada...

milágrimas

paixão em mim é feito brisa...
refresca e passa.

quero amor vendaval...
que me carregue
para onde for.



Em caso de dor ponha gelo/Mude o corte de cabelo/Mude como modelo/Vá ao cinema dê um sorriso/Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo/Se amargo foi já ter sido/Troque já esse vestido/Troque o padrão do tecido/Saia do sério deixe os critérios/Siga todos os sentidos/Faça fazer sentido/A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa/Coma só a sobremesa coma somente a cereja/Jogue para cima faça cena/Cante as rimas de um poema/Sofra penas viva apenas/Sendo só fissura ou loucura/Quem sabe casando cura/Ninguém sabe o que procura/Faça uma novena reze um terço/Caia fora do contexto invente seu endereço/A cada mil lágrimas sai um milagre


Mas se apesar de banal/Chorar for inevitável/Sinta o gosto do sal do sal do sal/Sinta o gosto do sal/Gota a gota, uma a uma/Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre/A cada mil lágrimas sai um milagre

2.5.10

escrever

aproveito a vida.
 me permito a dor,
o tesão, a entrega, o amor.
deve ser algum defeito de
fabricação isso de
fazer o que devo.
mas como a natureza é sábia,
o que não vivo, escrevo.

 

tanto mar

mudar territórios e limites.
expandir-se.

"...me dê vento e vela ou razão prá ficar".

pretensão

despretenciosa:
quer tudo...

... de linguagem

eu sonho com um poema
fruto maduro na tua boca.
um poema que te ame
antes mesmo que saibas seu sentido.
um poema que se prove...



"quando te vi, amei-te já muito antes. nasci para ti antes de haver mundo".

30.4.10

verborragia

quando é preciso calar...
quando é preciso mentir...
ela só fala o que sente.
o silêncio se aprende?

29.4.10

27.4.10

potência

cantando para meu filho dormir, veio novamente o insight sobre a maternidade.
foi tão forte o ser mãe em mim que desestruturei, rui, reconstrui.
foi tão intenso que deprimi.
morri.
ressurgi.
parece que vou explodir em cada dia.
as emoções todas intensas.
não tem um dia amorfo, inodoro.
tudo tem gosto, dói, dá prazer, machuca e cura.




"provo............que a mais alta expressão da dor...........consiste essencialmente na alegria. " 

experimentadora

o contato e a vivência,
são referênciais da minha percepção.
aprecio, interajo...
me aproprio do que me fala e
se apropria de mim o que me cala...
em outras palavras...
experimento o risco.


caixa preta

 não tinha a mínima idéia, de que dia era hoje...
havia perdido a memória.


25.4.10

a moça louca por mel

o corpo não se engana
no corpo do outro que ama
jorra uma fonte de mel...

18.4.10

teimosia

 

ou o poema que foi apagado
 
a poesia ficou velha...
ficou velho todo poema.
as palavras se engolem.
os sentimentos se guardam.
a coisa toda, nunca para...
 a coisa farfalha, grune, gargalha.


 

13.4.10

carona

sabe tiro que sai pela culatra?
foi a carona que ela pegou naquele dia.
por outros caminhos, viu a cidade.
andou por outras ruas.
no entardecer sentiu sua cidade pulsar.
grande, cheia de luzes, com muitos carros...
desceu longe da parada do ônibus.
andou mais do que havia planejado.
sentiu-se bem.
seus sentidos viram beleza no caos.

11.4.10

jogo

se isso...
se aquilo...
 se nada disso...
se tudo daquilo...
sempre acontece um golpe da sorte...
para gente ganhar esse jogo de azar.

constatação

ou dúvida cruel


ando sentindo
 vida
dentro de mim...
será que morri e ainda não sei?

passado

um segredo

[continuava tratando como se amasse...]
- e amo.
-só não te amo mais.
-sabe ler nas entrelinhas?
[cochichando com sorriso de esfinge] diz:  - o coração é um labirinto... tem gente que se perde, e nunca sai.

a dobra

no enigma o encanto...
na dobra do mistério
a vida toma forma.


8.4.10

engano

você reverbera em mim
ainda e sempre
apenas, não faço mais alarde...
é segredo meu.

chuva

quiz chover palavras de voz,
como não deu...
chovo, agora, em sinais
\

estalo

ou pathouly

...
 o peito se abriu
 exalando um cheiro ...
sentiu.
imediatamente, surgiram ramos
 que se espalharam
e tudo floriu.
...


carta

...
era o tempo da abertura.
...


"...quando o inverno chegar..."

7.4.10

perdoar é resistir a crueldade do mundo

duas pessoas podem ir ao encontro uma da outra,
falar-se e estar lado a lado, mas serão sempre como flores de arvores diferentes...
podem trocar seus cheiros pelo sabor do vento que vai como e para onde quer.
vive-se a vida ao acaso dos ventos.
não falta beleza, muito menos liberdade.
e só.
há que se perdoar esse capricho da existência.



disfarce

por um minuto, o provável
ou inesperado.
por um minuto foi...


5.4.10

fotografia

imagem na retina
dos outros
é refresco...


wild thing

"...you make my heart sing
you make everything groovy
wild thing
i think you move me..."



4.4.10

realidade

não dá prá viver
o tempo todo
no presente
é preciso olhar para trás
e para frente.

encruzilhada

na dúvida,
melhor ficar
parada.


"sou fio da véia... eu não pego nada... a véia tem força na encruzilhada..."

3.4.10

textura

minha língua
não para
de sentir
a tua.


a música mais triste do mundo

"ouço música quando olho para você.
um lindo tema de cada sonho que já tive,
no fundo do meu coração a ouço tocar
a sinto começar e depois desvanecer
ouço música quando toco sua mão.
uma linda melodia de um mundo encantado
bem no fundo do meu coração ouço dizer:
será hoje o grande dia?
somente eu ouvi esta linda melodia.
somente eu ouvi este lindo refrão.
estará para sempre dentro de mim?
por que não posso dizer que não?
por que não consigo esquecê-la?
por que não consigo cantar o que meu coração sente?
uma linda melodia de amor, beleza e juventude.
a música é doce, as palavras são sinceras.
a canção é você!"


2.4.10

árvore geneálogica

ou catimbó

da mãe
nascida nas brenhas da caatinga,
de mãe índia e pai com nome judeu.

do pai
maranhense,
de mãe bugre e pai negro com olhos azuis.

de si
uma híbrida intuitiva
que pratica feitiçaria,
mesmo sem saber.



antes que seja tarde

ou crime e castigo

cada vez que sentia aquele desejo intenso de matar, era por
achar desumana a condição extrema de despertar pena...
matava.
quem teria pena de quem mata?
em cada vítima da vida, um brilho de gratidão.
colecionava os olhares.
gostava mais de ser, então.



" Humanidade crápula, que se adapta a tudo. Pôs-se a meditar: "e se for falso", exclamou depressa, involuntariamente, " e se o homem não for, realmente, um crápula, quer dizer, se ele não o é, de modo geral? Então, é porque tudo o mais são preconceitos, receios vãos e não se deve parar diante do quer que seja." Agir, eis o que é preciso" 

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