9.8.09

se alguém perguntar...

...por mim diz que eu fui por ai..."

...como " um transeunte sem nome,
uma figura solitária numa esquina,
uma pessoa passando apresadamente.
poderia ser qualquer um.
alguém chegando, partindo,
vivendo em nossa sociedade anônima.
um elemento na multidão,
um entre a maioria silenciosa.
aquele dentro de nós que grita, canta e sonha"...

pois "tudo que era dor e medo se foi"...

6.8.09

david lynch

ou coração selvagem...
amor, estrada e violência...
musicas de elvis presley...
uma estética bizarra.
muitas referencias e apenas uma certeza...
" é um estranho mundo"...
assistir, é vivenciar uma experiência sensorial inquietante.

agosto

tarde dessas sair pelas ruas,
nua...
causar estranhamento.
pupilas dilatadas,
sorriso enigmático nos lábios...
em transe, desligada das coisas que povoam
este mundo ilusório que criamos.
enlouquecida, tropeçar na sanidade...
entrar em contato com livros,lugares e toda arte...
milhares de imagens
circulando na mente...
como um turbilhão...
tarde dessas, desabar como chuva...

28.7.09

cabaça


ou meu coração cabaça

o buraco da cabaça
é do tamanho de meu coração...
meu coração é grande,
cabe tanto som...

fruta gogoia

ou seu olho me olha mas não me pode alcançar...

Eu sou uma fruta gogoia
Eu sou uma moça
Eu sou calunga de louça
Eu sou uma jóia
Eu sou a chuva que molha
Que refresca bem
Eu sou o balanço do trem
Carreira de Tróia
Eu sou a tirana bóia
Eu sou o mar
Samba que eu ensaiar
Mestre não olha

21.7.09

desejos

ou um jogo

um dia de céu sempre azul
sorrisos sinceros
alegria de viver
prazer entre corpos
um copo d'água que mate minha sede
dormir mais para sonhar
família, trilho, flor
amigos reunidos
respeito e carinho
a profundeza do mar
e um brinco de diamantes...
só isso...

...que se faça o desejado!

pensar

eu apresento a página branca
contra:
burocratas travestidos de poetas
sem-graças travestidos de sérios
anões travestidos de criança
complacentes travestidos de justos
jingles travestidos de rock
estórias travestidas de cinema
chatos travestidos de coitados
pacivos travestidos de pacatos
medo travestido de senso
censores travestidos de sensores
palavras travestidas de sentido
palavras caladas travestidas de silêncio
obscuros travestidos de complexos
bois travestidos de touros
fraquezas travestidas de virtudes
bagaços travestidos de polpa
bagos travestidos de cérebros
celas travestidas de lares
paisanas travestidos de drogados
lobos travestidos de cordeiro
pedantes travestidos de cultos
egos travestidos de erros
lerdos travestidos de zen
burrices travestidas de citações
água travestida de chuva
aquário travestido de tevê
água travestida de vinho
água solta apagando o afago do fogo
água mole em pedra dura
água parada onde estagnam os impulsos
água que turva as lentes
e enferruja as lâminas
água morna do bom gosto,
do bom senso das boas intensões
insípida, amorfa, inodora, incolor
água que o comerciante esperto
coloca na garrafa de whisky
água onde não há seca
água onde não há sede
água em abundância
água em excesso
água em palavras
eu apresento a página em branco
a árvore sem sementes
o vidro sem nada na frente
contra a água
por arnaldo antunes, registrado em 25/11/1990 numa agenda de 1987...

livro de artista

ou a mulher que foi pássaro...






.apropriação do poema visual"genocídio" de avelino de araújo.
.partindo do texto "pai... ou a mulher que foi pássaro.

" eu poderia abrir as portas e janelas que dão para dentro.
te matar com uma faca de cozinha,
me livrando assim do fantasma que me escraviza a você,
dilacerando o melhor de mim.
tudo aqui continua escuro e fechado.
talvez permaneça assim para sempre,
como saberei...
a escuridão me atordoa...
teu fantasma me sufoca...
por vezes, muito raras,
passa por aqui um vento...
são momentos maravilhosos em que sonho...
sim, sonho...
quase chego a sentir a alegria de voar novamente...
relembro com pesar ...
a mulher que habito, perdeu as asas...
escrito em 14/12/1993





brilho fixo




o olhar viciado,


cega...


quando ampliado,


vê contrastes,


no tanto mesmo lugar...


duna

"na profundidade do inconsciente humano, existe uma necessidade penetrante de um universo lógico, que faça sentido. mas o universo real está sempre um passo adiante da lógica."

"não importa quão exótica se torne a civilização humana, não importam os acontecimentos da vida e da sociedade, nem a complexidade da interface humano/máquina, há sempre interlúdios de poder solitário, quando o curso da humanidade, seu próprio futuro, depende de ações relativamente simples a cargo de indivíduos solitários."

frank herbert, autor de duna, história composta por seis livros dos quais li três...
só posso dizer que é fascinante o poder da criatividade humana...
ele criou planetas, sistemas políticos, culturais, econômicos e religiosos de forma espetacular...
vale a pena ser lido.

20.7.09

passado


".seja passado o passado.
.tome-se outra vereda e pronto."


ontem me preparei para uma revelação...
ritualizei o momento de dormir, como havia tempo não fazia.
sempre preferi o intuido ao filosofado...
me banhei na cachoeira do banheiro,
me cuidei como deusa...
pele, cabelos e unhas...
por dentro ervas sagradas...
em meu aposento o aroma que eleva.
muito ar,calma, silêncio e sono profundo...
no sonho, entrei num lugar proibido...
me encontraram...
meu dedo sangrava muito
fui levada até a saída por um guardião,
ele era uma senhora velha e simpática que me indicava a saída sorrindo.
parei diante de uma gameleira...
que me deixou com um ar de maravilha...
posto que suas raizes eram ligadas ao portão/portal...
ela o abriu com um gesto firme...
eu sai por um caminho de barro... por um lugar que já andei em sonhos...
minha revelação foi:
o que é presente não passou ainda. o passado, só pode passar, quando passa realmente.
enquanto isso sigo enraizando no caminho...


( cortei o dedo quando você se foi... e ainda não parou... só quando você voltar meu amor... ai eu paro de sangrar...)

18.7.09

contos e ilusões


desde que posso memorar, ler é algo mágico, para mim...

26 letrinhas e uma imensidão de probabilidades combinatórias, com ajuda dos sinais de pontuação e... lá se vão pessoas, mundos, sentimentos...

todo tipo de ilusão, que em verdade reflete nossas mais profundas (ou superficiais?) fantasias...

claro que estou falando de ficção...

mas existe algo que não o seja?

do pouco que já li, fui marcada por muitos autores...

quero falar de um que me acompanha desde os idos anos 80...

.neil gaiman.

para mim, um edgar alan poe contemporâneo...

comecei lendo sandman... incrível pesadelo!

hoje, do que já foi publicado dele por aqui, li e tenho quase tudo...

ontem começei a reler "fumaça e espelhos", uma coletânea de contos...


uma introdução


escrever é voar em sonhos.

quando você se lembra.quando pode.quando dá certo.

é muito fácil.


-caderno de notas do autor, fevereiro de 1992.



"é um truque com espelhos. trata-se de um clichê, não há dúvida, mas não deixa de ser verdade.

.........................................................................................................

(a fumaça borra o contorno das coisas)

histórias são, de um modo ou de outro, espelhos. nós as usamos para explicar como funciona ou não o mundo. tal qual espelhos, elas nos preparam para os dias que virão. afastam nossa atenção das coisas que se ocultam nas trevas.

a fantasia - e toda fantasia de uma espécie ou de outra - é um espelho. um espelho distorcido, não há dúvida, do tipo que oculta, posicionado a quarenta e cinco graus da realidade, mas ainda assim um espelho que podemos empregar para nos revelar coisas que de outra forma, não poderíamos ver"

15.7.09

essa menina

é tanta alegria...
que até canto.
junto comigo
outras vozes...
pessoas que
seus males espantam.
celebramos vida e amizade...
celebramos nossa humanidade.
" tanto mar...
me dê vento e vela...
e razão prá ficar".

12.7.09

a imagem

ou todo o "blues" do amor

seu corpo é vidro por dentro
em verdade,
ela gostaria de descrever o breve instante
que sentiu seu corpo todo como um aposento
onde entrava luz através da vidraça
molhada pela chuva...
impossível descrever com precisão
a temperatura da água que a derretia...
projetando nas paredes de si, a imagem do tremor.

chuva na vidraça

assim ela sente por dentro...
um escorrer tênue do amor.
há em si, uma imensa vibração
que provoca
o improvável movimento de implosão.
certa de ser,
vai seguindo vidro,
intacta e diluida pela chuva.

3.7.09

fogo


ou ardência...



seu beijo

de voz...

de boca...

de língua...

me queimou

por dentro.

ardo...
em 02/07/2009...

30.6.09

esu



align="center">não sou boa nem má...
align="center">sou intensa<
align="center">em todo sentido.<

28.6.09

cega


o sentido de perda, ganha concretude:

a consciência é irremediável,

afeta meu corpo...

cega de perder-te,

padeço de liberdade...




filmes

do you like me now?
" eu olho a cabeça de um alfinete
e vejo anjos dançando..."
"if it wasn't this...
it'd be something else."
do you like me now?
se não fosse assim...
seria de outro jeito?

palavras perdidas

sonhar com você...
te "ver",
volta forte o desejo/necessidade de escrever...
ouvir sua voz, te sentir... é boom
de sonho em sonho os dias passam...
só não passa a saudade.
pensei tantas palavras
"escrevi" prosa e poesia...
a lentidão não permitiu o registro...
palavras perdidas
vagam por ai...
desgarradas de mim.

em 28/06/09

um



multiplas possibilidades

se multiplicam

em meu olhar...

amar é para tanto...

se água pode cair,

deve haver maneira de ser quem se é...

sem nunca ter sido...

queda


curso d'água...

caindo...

cachoeira.

prisma

toda luz
vira
cor...
em 20/06/09

12.6.09

maçã


a voz do raul seixas
ecoa pela vizinhança...
eu escrevo bobagens
sem ter com quem falar.
quanta gente incrível existiu, existe e existirá?
quero deixar de ser atormentada com tantas (im)possibilidades...
quero o brilho dos seus olhos,
único lugar que encontrei morada...
"eu perdi meu medo da chuva",

universo em desencanto

vezes sem fim me confundo...
serei personagem ou escritora?
como não saber a diferença?
cada vez que sinto essa vertigem,
não acredito na estória,
prefiro escrever história...
mesmo assim, qualquer grafia é ficção.
ontem chorei, sentindo solidão.
ao meu lado tante gente
que nunca conhecerei...

"cada um de nós é um universo"

11.6.09

realização




"Muitas das grandes realizações do mundo foram feitas por pessoas cansadas e desanimadas que continuaram trabalhando"...




esse clima tem me deixado melancólica...


"estou cansada...


não estou resignada


nada me é indiferente"...


mesmo assim, tenho vontade de mandar tudo as favas...


parece haver coisas de mais "fora da nova ordem mundial"...


pessoas incríveis padecem de egoismo crônico,


são más e infelizes...


não se amam e "não amam ninguém


parece incrível!


não amam ninguém e é só de amor que precisam"...


vou continuar trabalhando...


quem sabe consigo realizar algo "grande"


deixo aqui registrado meu protesto!


sigo indignada e feliz...


na realização de ser "pequena"


essa, creio ser minha grandeza...




9.6.09

avesso

todo esse choro e ranger de dentes
é nada, perto do avesso desse mundo
quero todos os sentidos
prontos.
cada poro de minha pele
grita que sou feliz
inteiramente aos pedacinhos...
é preciso falar
prá que fique claro:
a lua é cheia,
minha garganta dói...
é dessa fragilidade que falo...
o resto nada diz...
são retalhos mal costurados
logo volta a sensação de que estou caminhando
"no caminho pisado que conduz a uma batalha a cada dia, conseguir um lugar prá sentar e sonhar no lotação... é tudo igual...igual... igual..."...

sentido

hoje,
queria chorar um rio amazonas...
um oceano atlântico...
é muita falta minha gente!
é tanta coisa boa, que não basta...
hoje se pudesse voltaria
de onde vim...
lugar que nem imagino...
encontraria você
que sei quem é,
mesmo assim não reconheço.
hoje, queria prosa e não poesia.
queria aconchego não sua ausência.
porque tudo não passa disso?
companhia...
encontro...
fantasia...

7.6.09

encanto

vestido de mar,
você me inundou.
luas, marés...
ondas e ondas...
e eu sereia
me encantei.

antiga, 26/04/2007

iluminação

amei
tanto
e de tanto
amar
subi como a maré.
agora vazante,
me resta a lua
essa cheia...
e eu vazia,
nesse ciclo
eterno.
o balde, caiu no chão
quando admirada estava eu
com o reflexo da lua...
a ilusão acabou.
o reflexo não é a lua.
me iluminei!

considerações tontas sobre as desilusões tantas...

6.6.09

poder

tudo que é sólido
desmancha no ar...
toda coisa se desfaz...
ter caráter não é questão
de "se"
é questão de "ser"

ciclo





a vida é uns deveres que nós


trouxemos para fazer em casa.


quando se vê, já são 6 horas.


hé tempo...


quando se vê, já é sexta-feira...


quando se vê passaram 60 anos...


agora é tarde demais para ser


reprovado


e se me dessem -um dia- uma


outra oportunidade,


eu nem olharia no relógio.


seguia sempre, sempre em frente...


e iria jogando pelo caminho


a casca dourada e inútil das horas.





visitando mario quintana na tribo...

5.6.09

pouca festa

vi tudo estranho
ouvi palavras demais
senti o toque da pele
de menos
tô com sensação
de noite bem dormida
a noite inteira dessa vida
o desencanto dessa
festa
resta um
sem fim...

3.6.09

CDA

ou homenagem ao poeta
" o mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
o mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
o amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar"

se você estivesse aqui,
lhe mandaria uma mensagem
dizendo das suas palavras em mim.

2.6.09

chegança












a(cerca) do que nos cerca... sorte!
meus olhos, sorriem palavras e encontros...

31.5.09

na beira do mar

...foi na beira do mar,
na beira do mar...
aprendi a jogar
capoeira de angola,
na beira do mar...

domingo
lindo,
dia
vadio
cheio de graça
e alegria.
pessoas gingando
na roda da vida.
"eu quero
que todo sentimento...
de todas pessoas
do mundo
me perfure
para que eu possa
sentir cada um"...

sentir é música...

29.5.09

aleruada




















ou uma tormenta

restava pouco da menina



ingênua e deslumbrada.



cresci



de dentro



para fora.



sua chuva de gelo



quebrou a dormência.



você me atissa...



eu, broto intensa.



só sabe da entrega,



quem dá



sua cara à tapa.


... hoje, recebi de presente, a crítica mais consistente, crua e amorosa dos últimos 38 anos... hesiste um hiato entre quem somos e a representação de quem somos...
quem pode com o pote,não segura na rudilha...



27.5.09

mulher

desenvolvo dons adivinhatórios,
decifro sinais,
aconselho,
zelo pela integridade
da comunidade
semeio, colho...
moldo e pinto,
cuido dos animais,
recolho água,
cozinho,
fio e teço,
lavo roupa,
limpo a casa,
recolho frutos,
cuido das crianças,
mimo meu homem.
entre o céu e a terra
transito
mediando realidades essenciais.

pensando alto

produzindo o tal documento do concurso
pensei: posso até não passar...
mas o fato de estar elaborando meus conhecimentos, concepções e ações
articuladas à minha trajetória de vida e profissional,
de uma forma mais consistente
no sentido de entender meu processo de construir conhecimentos
acerca do momento histórico, social, político e pessoal no qual estou inserida.
difícil explicar, posto ser uma idiotice...
estar de dentro do vivido, vivendo.
tenho uma sensação de plenitude factral e volátil ,
mesmo assim registro sem medo
o prazer da oportunidade
de pensar alto sobre minhas potencialidades.

26.5.09

instinto




De mim
tens o mais puro
instinto carnal.
Sublime, orgônico
Algo em mim é tocado.
Me sinto inspirada
viva e pulsante.
Tenho prazer em saber de sua existência,
me agrada sentir essa conexão.
Pessoas como você...
de algum modo sutil e indireto
reverberam em mim...
Ecoam por ai...
Se misturam em outras pessoas,
formando uma energia
mais bonita nesse planeta.

móbile

é redundante...
como me sinto na vida...
"móvel no elemento movente"

25.5.09

deusa gata


compartilho com leminski

o delito-delírio

de escrever e pensar que esta pronto.

ai, sensação de plenitude infernal...

mesmo sendo ensaio

bato palmas

e acho o máximo...

pobre deusa-mortal...

nobis signum


O entendimento dos simbolos
e dos rituais simbólicos
exige do interprete
que possua cinco qualidades ou condições,
sem as quais os símbolos serão para ele mortos,
e ele um morto para eles.
simpatia,
intuição,
inteligência,
compreensão e
graça.


visitando fernando pessoa

23.5.09

desabafo

ou o que é sentido...

meu celular descarregou... minha energia não.
tudo continua remexendo por dentro...
nada de maremoto...
ondas sequenciais que dropo.
sinto sua voz forte-suave
isso me dá calma
me emociona
só não quero o tal desperdício do "ego"
busco sem procurar
a reciprocidade
que não se pede, que não se mede e que não se repete...
viu quanta negação?
precisamos de afirmações sentidas
você é prá mim um amor
desse meu jeito
que penso ser um tipo de defesa...
se for, prefiro continuar assim
como me reconheço,

na fantasia, criativa imaginação
sonho, crio, escrevo...
pode ser insuficiente,
mas hoje é tudo...
até chegar o dia que,
sem perceber ou pensar

estaremos fazendo manobras nas ondas sequenciais...
p.s. em verdade nem quero te ter, posto que já tenho.
nem te tocar desejo, posto que já toquei em sonho...
apenas sinto que posso com você experimentar algo novo...

mais que amar.

22.5.09

azulejo

a chuva me alcança
da sua janela
vejo o mar e a nebulosidade
da mistura
entender o movimento
sentir a lição da espera,
o rítmo
escolher planos
deslocar o espaço
tudo tem sensação de vertigem
no precipício me atiro.

espelho

através de voce
crio um "romance"
a paisagem, um lugarejo
sem tempo nem lugar
sua janela
nossa casa
um circo no quintal
as dunas como jardim...
nesse tempo
meio "minas"
esse é o clima.

21.5.09

zangado


entre a palha e a pedra


foi o mote que ele me deu


a comida tava boa


mas o carinho


é que alimenta...


na medida exata


entre a leveza da palha


e a dureza da pedra


atravessada no caminho


para meu"s" querido"s" amigo"s" geovane"s"

fórmula mágica

como fazer dessa emoção
um caminho de transformação?
como não se deixar levar pelo embaço das lágrimas?
ouvindo racionais sinto o drama
"um rosto na multidão...
família brasileira, dois contra o mundo..."
são muitas palavras que falam da experiência,
que dizem o indizível
salve, salve...
o som, a palvra, o verso

20.5.09

falta

sinto falta de teus olhos
queria teu sorriso na minha boca
pena o desejo não ter rumo
e vagar por outras paragens
se essa rua fosse minha
nela faria garagem

em mim

ou a visão de mim por uma amiga

“A FURIA DA BELEZA”
Elisa Lucinda

Estupidamente bela
a beleza dessa Maria-sem-vergonha rosa
soca meu peito esta manhã!
Estupendamente funda,
a beleza, quando é linda demais,
dá uma imagem feita só de sensações,
de modo que, apesar de não se ter a consciência deste todo,
naquele instante não nos falta nada.
É um pá. Um tapa. Um golpe.
Um bote que nos paralisa, organiza,
dispersa, conecta e completa!
Estonteantemente linda
a beleza doeu profundo no peito essa manhã.

Doeu tanto que eu dei de chorar,
por causa de uma flor comum e misteriosa do caminho.
Uma delicada flor ordinária,
brotada da trivialidade do mato,
nascida do varejo da natureza,
me deu espanto!
Me tirou a roupa, o rumo, o prumo
e me pôs a mesa...
é a porrada da beleza!
Eu dei de chorar de alegria funda,
quase tristeza.
Acontece às vezes e não avisa.
A coisa acontece e abre um portal.
É uma dobradura do real, uma dimensão dele,
uma mágica a queima-roupa sem truque nenhum.
Porque é real.
Doeu a flor em mim tanto e com tanta força
que eu dei de soluçar!
O explendor do que vi era pancada,
era baque e era bonito demais!
Penso, às vezes, que vivo para esse momento
indefinível, sagrado, material, cósmico,
quase molecular.
Posto que é mistério.
Descrevê-lo exato perambula ermo
Dentro da palavra impronunciável.
Sei que é dessa flechada de luz
que nasce o acontecimento poético.
Poesia é quando a iluminação zureta,
bela e furiosa desse espanto
se transforma em palavra!
A florzinha distraída
existindo singela na rua paralelepípeda esta manhã,
doeu profundo como se passasse do ponto.
Como aquele ponto do gozo,
como aquele ápice do prazer
que agente pensa que vai até morre!
Como aquele máximo indivisível,
que, de tão bom, é bom de doer,
aquele momento que agente pede pára
querendo e não mais podendo mais querer,
porque mais do que aquilo
não se agüenta mais,
sabe como é?
Violenta, às vezes, de tão bela, a beleza é!”

18.5.09

frágil




queria sair pela rua sangrando

a fragilidade da vida

aquela inventada

aquela sentida

aquela bandida

queria sair pela rua sendo curada

desse frágil estado de ser gente

desse profundo estranhamento de se reconhecer

dar voltas e voltas

sem nada encontrar

empilhar pedras do caminho

habitar precípicios

esquecer...

nomes

queria escrever das palavras

queria saramargar

anos luz de solidão,

crônica de uma vida anunciada

encontros...

todos eles reunidos...

machado, drummond, fontela

hesse, gaiman, antunes, leminski...

bantock, medeiros, araújo, ulhoa,

canclini, kundera, herbert, freire, reich...

barbosa, poe, claval, chaui, jung, campbell...

queria escrever da poesia de

todos os nomes que me povoam...

movimento

os olhos dos outros
levitam sobre mim
estão aqui e se foram
o inesgotável movimento,
ordenamento do chamado real
fomos longe demais
sem nunca sairmos daqui
vai... sai de mim
saudade do que não sei
memória do inexistente
os olhos dos outros
levitam sobre voce...
se foram e continuam ai
ordenamento inesgotável
do movimento chamado real
nunca saimos de lá
e fomos longe demais
vem...fica em mim
saudade do que existe
memória do que sei

14.5.09

vermelho


ou o poder da cor, nas unhas de uma mulher


tirei o vermelho das unhas
desci momentâneamente do trono
permaneço rainha
de onde vim
e do povo que carrego
dentro em mim

"nizinga"

12.5.09

depoimento

menino de meus olhos, preciso dizer da bandeira que vejo...
pode até ser delírio... um a mais que importa, sou intensa e preciso...
nossos filmes são diferentes... nem por isso ignore os enredos...
amamos o cinema da vida... isso de certa maneira, nos torna cumplices...
não tema e nem dê corda à seu narcisismo pelo avesso
como se você não gostasse de se ver refletido
existe empatia...

continue quieto se assim satisfaz...
não é qualquer ausência de gesto que alimenta meu desejo...
o alimento vem de mim...
que vejo a prosa vertida em palavras sentidas,
virando verso,poesia sem rima, palavra narcisa
que me reflete em você

vadiagem

meu corpo é assim
tem formas intangíveis
para a maioria
ele chega me atinge e preenche
quase poderia...
encontro prazeres
que quero sentir com você
quero ser sua adorável "Doró"
a fonte do seu equilíbrio
e o veneno escolhido
para ser vagarosamente
ingerido até o último suspiro
quando estivermos bem velhos
vadiando ainda juntos

estou a mercê das emoções mais inesperadas,
são os efeitos colaterais do que falta
do que não se apresenta
desse morrer bonito todo dia
que é vida
esse "alfinim" que qualquer mexidinha a mais
pode botar a perder
tenha zelo seu moço, por minha "paisagem interior"

resposta

chega de tanta poesia...
acordo inspirada
penso em arte
escrevo
quero falar de outro assunto...
parece vício
precipício...
será ofício?

fuga

as palavras fugidias...
chegaram com a chuva
e se foram
parece desejo
que se instala
e um dia passa

capital social

ou verbete

"teoria que analisa economicamente os rendimentos do amor, da sinergia e da reciprocidade"

inspirada pela palestra da clarissa diniz, no 8 de maio

chá de artista




amei.


por jean sartief, no 8 de maio

9.5.09

sempre


ame

forte, fraco

certinho, bagunçado

colorido

mude o sentido

ame sempre muito

de qualquer forma

ame
é um mantra

uma canção
minha respiração

ameameameameame

incompleto,

sem frescura

ame

respire, dê um tempo

cansa, eu sei

mesmo assim

persista, sinta

ame

vai, continua

tá dando um barato
é uma loucura

se entregue

ame

vira emoção

sem você perceber

quando se der conta
a vertigem acaba
só resta amor
e você sorrindo

dizendo

.amo.

divino

ou a vertigem de amar

acordei sozinha e feliz.

a lua cheia me afeta,

sou mundana e ele também.

nossos corpos dançaram juntos/separados

isso é amar...

ver o desejo que não é seu, sentir prazer, compartilhar...

o encontro é assim... acontece

"muito amor, muito veneno, prá pouco lugar"

se isso é coisa divina eu quero pecar...

me carinhe em outro corpo...
qualquer dia tudo muda,
nada é nunca,

na fonte do desejo que não seca...

8.5.09

não ver

o menino tão cego...
só via impossibilidades.
conseguirá ampliar
os SENTIDOS?
ama tanto...
mas só serve a dor
de não ser amado...
lerá um dia em braile?

dançar


a dança imóvel da vida se faz

também, pensando e sentindo

posto que dançar, é estar inteiro.
homenagem visual ao meu pure bailarino e amigo rubens

correspondência I


qual o quê...

ou o silêncio que não foi perguntado

quem você pensa que é
para fala de desejo?
poderia ter respondido verdades...
que senti antes de pensar,
que sou mulher mandingueira,
que trago em mim contradições
das mais variadas...
poderia ter dito qualquer coisa...
mas ele nada perguntou...
no dia que me preparei para que me amasse.

7.5.09

o circo, a roda e nós

Estamos aprendendo a diologar, exercitando falar e sermos ouvidos, nos mostrando e vendo uns aos outros.
Nosso encontro cria possibilidades de crescimento, posto que estivemos juntos, mesmo na hora do confronto entre iguais, que não concordam em tudo. Somos frutos de tradições modernas e autoritárias e de princípios capitalistas insustentáveis.
Ainda assim nossas sementes germinam um aqui-agora sem medo de ser quem somos, do quão livres desejamos ser. Estamos mudando nosso cotidiano na relação com nosso corpo, nossa alimentação, ócios,desejos e na relação com os outros.
Nos grupos e comunidades das quais fazemos parte, sempre é trabalhoso se harmonizar com tanta gente diferente, sem perder o núcleo das identidades individuais e coletivas.
“ não espero o dia em que todos concordemos. apenas sei de diversas harmonias bonitas e possíveis sem juízo final” C.V.
Em mim, que vim aqui com tesão somático de viver e criar, levo marcas de gente variável, circense... angoleira, maliciosa e mandingueira, que trás muito axé em sua capanga...e assim, o amor de amar com sua "asa aberta" sobre nós vem se chegando... dizendo... ame
sentido antes, durante e depois da participação no Olonimó em Aracajú-SE.

orientação

ou receita de artista

incrível... ele disse, interessante... tem uma coisa ai, bem legal...
pesquise isso, aquilo, veja tal artista... essa performance... aquela outra...
dê atenção ao registro...
papo gostoso e fluido...
o que mais gostei foi o óbvio:
arrisque, continue fazendo...
o tempo, o espaço e a pessoa...
tudo diz qual é o incômodo
tudo diz, da sua fala para o mundo...
veja/perceba/sinta.
seja artista, sendo!

menageatout le artist

lágrimas

não consigo esquecer seus olhos...

vira e mexe vejo o brilho intenso desse olhar...

resolvi escrever.

preciso...

amar, é assim um desafio...

tenho me lançado nesse mar bravio,

sem âncora nem paradeiro... ai...ai...

vou eu poetizando a dor...

era disso que queria falar...

da dor de amar em palavras...

queria abraçar você e fazer passar...

é isso...

coisa de empatia...

coisa de gente que sente, que um dia... passa...

ai vontade de chorar...

6.5.09

inteira

quando digo:
ame
estou falando corpo...
dizendo corpos relacionais!
até onde vai nossa percepção?
esses são meus ais...
ficatudoembaralhado
esse desejo é seu ou meu?
nesse projeto de vida
quem cedeu mais e por quais motivos?
perguntas demais
para alguém que sempre amou
e que hoje está amando inteira
pela metade

3.5.09

uma coisa que não tem nome

olhando os meus pensados
tô com sensação de despedida
homenageando
gente em vida...

conversa do carro nº 01

ou conversa de elefante I

_como é que começou?
_achei que o farol estava baixo e perguntei...
_hum... dai eu mexi, abaixe, aumentei e desliguei os faróis... depois perguntei como se fosse um truque: _ viu o que sei fazer? riso...
_lombada a 100km... riso... 100 m!
_ agradecida, meu co-piloto.
_é você que cuida dele assim?
_ é... minha carrocinha...
_é uma relação de amor e ódio, né?!
_... até que não...porque quando eu amo, amo até quando é ruim...
_fiz o truque dos faróis novamente: _viu o que eu sei fazer?riso... e perguntei como tudo começou...



homenagem a graça da vida... no caminho com adolfo, voltando de pium
homenagem ao amor, que deveria ser amado mesmo quando é complicado

saída


meu pescoço endureceu

é o peso dessa vida

o corpo sabe como manter a cabeça no lugar

impedir os movimentos

para encontrar a saída

como num jogo silêncioso e tenso

mas comigo não funciona

sou molinha logo passa

a saída é que me acha

conversa de elefante

sei você não quer ouvir
sei não te interessa
sei mais tenho que correr o risco
sabe de uma coisa, gosto de você
sei , não lhe apetece...
sei, é estranho
sabe te convidaria até para
ir naquela montanha mais perto...
sei, não acredita...
sei, não está a fim...
viu? lhe convidei
sei, prefere ficar em casa...
sei, sei
sabe, essa história já tá cansando
sei, devo desistir
viu? um sorriso...
lhe apeteceu...

visitando ledos enganos meras referências

chuva


a. queda.. esvazia... de.... sentido
todo...... ato....... inspirador
é......... como.......... procurar........... abrigo
numa............. toca............. de.............. ouriço
existe.............. proteção................. ali
só.................................. para ele
o drummond que tava certo
escrever não tem nada de poético...

....................................................

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..............................................

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...............................

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2.5.09

efeito colateral

tenho grande apreço pela cultura intelectual,

mas não confio muito em seus efeitos.

me devore através das palavras

remexa por dentro

transforme em poesia

e ame,
pois minhas palavras vão cair como chuva em você.

mulher interrompida


ou dodoi...

seu joelho
tem uma casca de ferida
que a cada movimento
se abre
e não cicatriza.
preferiu parar
o movimento da vida
ao invés de sangrar
de vez.
nela há uma força acumulada
que se expande
numa energia
desinteressada e inútil.
realidades são possibilidades
distintas,mas ela não vê.

hora do almoço

cozinhar para um amor é bom...
se come e é comido
o encanto é não falar
e ser
o encanto é não querer
e ter

um fotógrafo


ou homenagem ao olhar

aprendi que olhar de gente é que fotografa...
minha máquina é bem simples, meu olhar complexo e caleidoscópico
quase alucinação...
vejo, luzes, sombras, réstias...
vejo corpos transformados com o tempo

a máquina dele é muito boa,
mas seu olhar é muito mais
marcelo isola imagens de retina e compartilha
marcelo isola compartilhando...

esse paradoxo de exercício
do olhar e liberdade
em qualquer lugar

esse interesse nas possibilidades
de ser gente...
senti na pele
o arrepio do encontro
desse olhar...

moço, grande, bonito e aventureiro
com viço pra vida...
agradecida

visitando linhaimaginaria.com

1.5.09

papoulas insanas

lendo palavras da [r]enata
me achei sentimental
sempre me permito...
não sou mais outra de mim
todo desejo
é meu mesmo
não posso negar
lá fora flores...
aqui dentro amores...
sou cores em profusão
todo encontro
é sorriso
basta se olhar com atenção
visitando verso poti

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as definições, as conceituações, me entram, como se diz, por um ouvido e saem pelo outro... sou.