1.10.10

comentários

descobriu um lugar que só mostrava os comentários.
deliciou-se lendo e imaginando as pessoas por dentre as palavras.
devo comentar que tenho saudades dos comentários das pessoas.
devo confessar no comentário.

a vida se transformara no teatro da expressão.
como se sente é pouco.
o que faz sentir?
isso sim!

como era banal isso, da comunicação
quem diz prá si mesmo,
tá dizendo pro mundo.
quem diz só para o outro,
não se ouve.

vale a falta de palavras.
vale a sobra de ausências.
 vale a solidão companheira.
sempre com muito prazer.

documento

hoje ela contou novamente mais uma de suas trajetórias.
hoje ela disse com outras cores.

na faxina matinal encontrou seu primeiro memorial,
escrito ainda no final do curso.
o segundo releu-o hoje também.
já este cá, com um outro enfoque.

em conceição ela se via possível.

29.9.10

regue

dançando só.
lembrei-me no corpo
o movimento dos teus quadris.

danço, molhada...

me rego.

profetiza

escreveu nas paredes,
todas as professias conhecidas.
anunciou e assim se cumpriram.
o novo ciclo palimpsesto
apagava suas marcas
e tornava escrever-se.

pintora

tudo nela verbaliza
o ser tudo e o ser nada.
pintava as paredes brancas de branco.

melancolia

quem foi que disse
que a felicidade
é só feliz?
a felicidade sente
um down às vezes.

tá! não é nenhum
sofrimento profundo...
é suave...

a dona felicidade
é tão felix (feliz+fênix)
que mesmo um pouco triste
sente todos os prazeres.


"para a calma geral, verbalize..."


26.9.10

pocker

blefava sem medo.
não tinha nada.

"não lhe mostro todos os bichos que tenho de uma vez, abro o circo com não mais do que cinco ou seis... leão, camelo, acrobata... e não há luar e os deuses gostam de se disfarçar..."

contraditório

viver em equilíbrio também é tenso.
hai que perder o equilíbrio sem endurecer na vertigem dos movimentos de queda.

sobre o mar ser dele

navego.

a escritora

usava da linguagem como catarse.

21.9.10

vagarosa

... e aquilo que se revelará aos povos surpreenderá a todos, não poe ser exótico, mas pelo fato de poder ter estado oculto quando terá sido o óbvio...

devagar aprendeu que é responsável.

casa

esperança viva que o sangue amansa
vem lá do espaço aberto
e faz do nosso braço
um abrigo

a música se repete...
a vida se repete diferente na nossa casa.

nós

sou toda humanidade
sou toda cultura naturalmente...
sou você diferente.


13.9.10

analisando

por ela
tudo seria
tão imutável,
perigando o imóvel.
tudo tão parado que deixariam de ser.
{neurótica e ponto...}

beleza

nunca se vira tão bela.

chave do tamanho

viu através de uma chave.
quanto mais perto do olho, menos se percebe a chave que está nas mãos.
é necessário o movimento de se distanciar o olhar e o improvável acontece:
voce olha e a chave etá lá, em suas mãos.

tamanha

no ato de amar,
em pensamentos,
 decidiu compartilhar
do cotidiano, mas comum impossível.
intelectual-deusa-de-casa,
sábia da condição humana
e guardiã de alguns mistérios
do dasconhecido jardim do destino.
[pensou na primeira escolha profissional, já queria cuidar da terra...]

se pudesse resumir o aprendizado da vida até agora:
a intuição. nós sentimos tudo...
isso é tão obvio que parece oculto.

no enredo da existência, seguir, chegar e partir
são só dois lados da mesma viagem. o trem que chega é o mesmo trem da partida.
todod os dias, é um vai e vem.
a vida se repete...
a vida se repete, a intuição encontra caminhos de vir à tona.
há que se ter fundamentos.

scatapum

assim dizia sorrindo
e empurrando
suas perninhas...
ele chorava de dor...
o movimento, a palavra e o humor
iam o acalmando...
dormia.
foi assim que ocorreu a memória
dos primeiros tempos do menino.

ela e os besouros

voavam,
mas eram pesados.



boca fechada

andava vertendo
muitas palavras.
dadivando sem ter fim.
para quê?
se perguntava.
se afirmar ou confirmar?
deusa ou mortal?
humana, fecharia sua boca.



11.9.10

vício

tomava coca como tomasse vinho

olhar

cumplices

9.9.10

magia

sabonete rosa
almiscar
e uma boa lingerie...

aperreio

foi como beijar o frio
foi como perder a sorte

escolha

de toda trágédia
a tragicomédia....
mais real
que o final feliz.

querer bem

o que envenena o coração
é a desconfiança em si próprio.
confie-se.
seja seu abrigo.
atitudes que curam.

do que em mim é em mim tão desigual


a  travessia
da superfície da mesma ponte
sobre águas claras e profundas.


sempre afins

um cheiro
honesto
segredos
( a escritora estava de férias...)
tinha família e tudo, uma pessoa absolutamente, delirava...)
o fluxo intenso do pensamento deixava a escritora voraz de idéias.
queria palavras poucas que dissessem do que é vivido sem se viver.
que é oposto do que se deva.
se dever, devêssemos...viver em delírio...
[mas bem, como estava de férias...
lhe faltaram palavras]
(e a página continua em branco...)
pensou em falar sobre o erotismo da vida.
o ventre ardia todo em sentir o cheiro dele.
um cheiro honesto.
o cheiro do tema do prõximo poema.

o estares

vivia como nunca
mesmo assim
viciada
escrevia.
tudo ainda era verdade
escrevia
inventava
dizia outra coisa
odara
se deixava cantar de voz alheia

6.9.10

o quereres

quero que
ttttontas
palavras me cortem
a carne.


3.9.10

90 minutos de sabedoria

"procure descobrir o seu caminho na vida.
ninguém é responsável por nosso destino, a não ser nós mesmos.
nós é que temos que descobrir a estrada e segui-la com os nossos próprios pés.
desperte para a vida, para a Verdadeira Vida.
e, se deseja a felicidade, lembre-se: você é o único responsável por seu destino.
supere as dificuldades, vença os obstáculos e construa sua vida".

coração das luzes


 vivia como pessoas sedentas bebem...
tinha um preparo maduro para a lealdade, para o amor, para a alegria...



24.8.10

limites

ser abrindo...
expande-se.



21.8.10

o que dirão...

era uma boa vida...
bon vivant!


de amor e amizade

ou amor imorredouro

o grande amor não atrasa a vida...
o grande amor não adianta a vida...
o grande amor vive-se.

19.8.10

o quintal

na cidade desconhecida
o coração aqueceu
num sonho-realidade.
amar mais que em carne e palavras.
amar poesia.



18.8.10

tempo é quando

guardo em mim clara, precisa,
a memória de idos dias -
manhãs escuras,
tardes frias,
noites de inquietação e de medo.
medo de dormir - medo maior,
de acordar, perdido, repetido,
nas manhãs escuras,
nas tardes frias.

mas guardo em mim
também, clara, precisa,
a memória de outros dias.
manhãs límpidas,
tardes amenas,
noites de alegria
sono tranquilo

risos no sonho
palavras no sonho
olhos de sonho no sonho.
naquelas noites sem medo,
dormir ou não dormir
era a mesma forma de sonhar.

paulo freire


"tempo tempo tempo tempo..."

17.8.10

encontrar

surpresa de quem não procura.


sabedoria

ou do conhecimento que há em mim.

o que aprendo
esqueço.
quando esqueço
ensino sem saber.





sempre soube de coisas que nem sabia... meus instintos precederam sempre minha inteligência... sei mais silêncios que palavras...

brilho

a luz intensa
lhe veio
após intensa
escuridão.


16.8.10

vagarosa

dias e dias...
nenhuma palavra.
da memória...
o esquecimento
de como dizê-las.
vivo.


uso palavras para compor meus silêncios... tenho em mim esse atraso de nascença... tenho abundância de ser feliz por isso...

22.7.10

vestida de estrelas

o verde do pano
por dentro e por fora
brilhava.
quem haveria de saber que
era o leito de tanta estrela.
                    

blue hole


mergulho...
e volto a tona.

permissão

me permiti ser luz.
dancei por todo aquele ambiente.
bailei luz e som.
foi o tango mais bonito que já vi.

21.7.10

ela não quer ver nada

procuro-me
procura-se
encontro-me
encontra-se
eu li o poema
como :
ame o zé!
olha aê leonora
como é que
o ser
é.

certezas

_ mas isso já foi resolvido anteriormente! para quê perguntar novamente?

_ pode ser que hoje, possa ser resolvido de outro jeito! acordos são mutáveis...

algodão explosivo





minhas carnes ardem espiritualmente.
amo amores carnais.
amo amores fraternos.
amo todo amor inteiramente.



20.7.10

terra

é tanta fertilidade,
que repouso e sou fecundada.


silêncio

ouço
pensamentos.


18.7.10

luz

mariposas
dançam
em mim...



16.7.10

leonora de barros

seu nome é
poesia.


15.7.10

criação

.te crio assim.
.perceptivo e saudável.
.amoroso e leal.
.a si mesmo e ao outro.
.faça-se.
.humano.
.naturalmente.


sinápses

no espelho vi os anos que vão passar,
como uma memória do que se vive.
como fosse tudo memória...
um tipo de ficcão literária-cinematográfica.
talvez, tudo construção
da percepção
que vem à tona.
penso como eu não sendo.
são outros eu de mim, percebendo.


13.7.10

verbo transitivo direto

amar
 1. ter amor a.
2. gostar de.
 3. praticar o sexo com.
 4. estar enamorado. 
 5. praticar  o ato sexual. 
6. sentir amor por si mesmo.
7. sentir amor mútuo.



12.7.10

toque

é dando
que se recebe

anarquia

ou livro da tribo terça 2.000 março 14

o erotismo é uma das bases do
autoconhecimento, tão indispensável
quanto a poesia. (anäis nin)

sem tesão não há solução!
com muito tesão é uma piração!
vem o tempo e joga água fria,
congela os corações,
encouraça a musculatura.(ni)

*poesia
é o que de melhor nos passa um poema, uma letra de música um texto em prosa poética. o poema é o corpo, arquitetura de palavras; a poesia é seu espírito, o que é dito além do que está escrito. escrevá já um poema com todo o seu tesão! (ct)


o início do texto segunda de 2010 em julho

... me cansei de escutar opiniões de como ter um mundo melhor...

eu quero é mais saúde... (2010)


gente

ou poema para não dizer em palavras


tem gente que partilho
tem gente que compartilho

tem gente que soa bem
tem gente que vibra bem

tem gente que ilumina
tem gente que é luz






11.7.10

três virtudes

paciência
prudência
perseverança...


10.7.10

abre-te sésamo

te fiz um poema e escondi
em quarenta poros de minha pele
de modo que brinquem seus dedos
por muito tempo de ali babá.


não te prometo nada.
é só por hoje que sei o presente de ti.
sem esperanças...
é desesperançadamente livre do antes e do depois.
posso até combinar contigo atos futuros.
sem garantias.
se o futuro chegar presente
acordamo-nos novamente e
seguimos adiante...

decifra-me ou me devoro

do gaiarça

hoje
estou escrevendo tudo ao
contrário: onde se lê
feliz leia-se dor.
hoje
estou vivendo tudo ao
contrário: onde se vê
sorriso veja-se rancor.


de mim

hoje
estou escrevendo tudo com
sentido: onde se lê
feliz é feliz mesmo.
hoje estou vivendo tudo com
sentido: onde se vê
sorriso veja-se amor.

hoje
vejo o invisível de mim
e reconheço
semelhanças
em ti.


pausa na dor




...acalma essa tormenta
 e se aguenta...


9.7.10

saída do banho

ou bicho tocando

choque da pele quente
com o ar frio,
arrepio.
ouve sua voz pela primeira vez.

se olha no espelho cantando.
" uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel"...
uma mulher, uma beleza...
assim, ela aconteceu.

alguém cantando

o que é bom
prá se viver
é bem.
o que é ruim
também...


"nem um rio, nem outro...liberdade".


7.7.10

crochê

dia-chuva-vento-frio
dou formas
em linhas coloridas.
coração-mais-quente...


4.7.10

gaiola de amplidão

longos vôos
longos retornos...
e mansidão

3.7.10

as "pés no chão" conversam...

-assim...
-concentra essa enegia sexual...
-aqui..ó no chacra... laranja.

-mulherzinha... cê devia ser terapeuta!

chupando pirulito

imaginem a cena:
seu ubaldo chupando um pirulito dentro do ônibus.

imaginem a cena:
seu ubaldo de 79 anos, chupando um doce pirulito dentro do ônibus...

imaginem a cena:
seu ubaldo de 79 anos, chupando um doce pirulito dentro do ônibus e sendo abordado por uma moça que se encanta com a doçura do seu gesto.

imaginem a cena:
chegar até a morte com pequenos e doces prazeres de ainda criança...

vemos pessoas todo tempo

andava por aqueles dias cheia duma sensação de potência.
era uma outra dimensão aquela em que vivia a representação do vivido.
numa parada de ônibus avistou uma desconhecida, na qual de imediato se reconheceu.
era um de seus delírios recorrentes... ser parte de outras pessoas.
uma deusazinha negra. linda. pézinhos cheios de anéis. cabelos envoltos num pano.
estilosa. na dela.

ficou a observar e num impulso escreveu-lhe um bilhete:
não sei de onde veio...
nem para onde vai,
mas se puder me liga,
se puder me leia.

sentou-se ao seu lado e entregou-lhe o bilhete.
ela olhou sorrindo e perguntou:
-você quer me conhecer?
-é! já estou conhecendo...

ganhara mais uma amiga
ou talvez só mais um conto.
o que importava era a poesia
de todo encontro.

capitu

pois se queria tanto um filho...
foi o que lhe deram e não um par de chifres.
maldito ciúme...


" na voz que canta tudo ainda arde"...

estrela

andar na cauda de cometa...
dançar na rua.
não cansamos de ser criança.
meu melhor amigo,
é o meu amor.

2.7.10

sabedoria

aprendi a perder...
o que não tenho.
aprendi a ganhar
o que tenho.




" eu me ofereço esse momento que não tem paga e nem tem preço/ essa magia eu reconheço/aqui está a minha sorte/ me descobrir tão fraca e forte/me descobrir tão sal e doce..."

sentidos do sentido

em cada ato
um convite
a pegar delírio.
cada qual.
cada quem.
cada coisa.
muita estrela.
além-aqui.
afetação.
sempre um quando.
combustão.



" acorda amor, que eu sei que embaixo dessa neve mora uma coração"

29.6.10

leviana

naquele dia,
ela deixara de ser...

a um passo de meu próprio espírito/ a um passo impossível da deusa/atenta ao real: aqui./aqui aconteço

uma parede em branco

me aproximei da parede.
toquei. deslizei as duas mãos.
repousei o rosto. fechei os olhos.
abracei a parede. me entreguei a perceber sua textura branca.
desenhei mentalmente com o movimento das mãos, o início de uma mandala.
abracei a parede. me entreguei a perceber sua textura branca.
movimentei o rosto em carícia.
senti as possibilidades de um outro toque.
mexi o tronco. esfreguei os seios.
mexi o quadril. esfreguei o sexo.
não mexi as pernas. estava centrada.
na parede me abraçava.

quebrando a louça

vezes sem fim (para!)
algumas vezes (melhor assim!)...
é, por vezes, se pega memorando olhares.
os olhares intimos e culplices que trocam.
são beijos, abraços, carícias... promessas que se cumprem.
nada de gestos fortes. nada de sempre.
nada do que já foi anteriormente experimentado.
tudo calma, confiança, distância e encontro.


" gosto quando olho prá voce/ gosto muito mais quando seu olho vem/ na direção do meu/na direção do meu/ gosto ainda mais quando esquecemos/ onde estamos/ e olhando em volta escolhemos/ a mesma coisa prá olhar/ gosto quando olho com você o mundo/ e gosto mais do mundo quando posso olhar para ele com voce"...

28.6.10

sede

I
beber a hora
beber a água
embriagar-se
com água apenas.

II
água? é só isso
que purifica.

III

fonte maior
e não oculta
fonte sem narciso
nem flores.

IV

bendita a sede
por arrancar nossos olhos
da pedra.

bendita a sede
por ensinar-nos a pureza
da água.

bendita a sede por congregar-nos em torno
da fonte.



" traga-me um copo d'água tenho sede/ e essa sede pode me matar/minha garganta pede um pouco dágua/ e os meus olhos/pedem teu olhar..."


entusiasmo

ou harmonia entre a consciência e a existência

  1. a sacerdotiza
  2. a temperança
  3. a estrela
  4. o mago
  5. o mundo
  6. a imperatriz
  7. os enamorados
  8. o louco
  9. a roda da fortuna
  10. a carruagem
  11. a justiça
  12. o sol

guarda-roupas

quero expor seu conteúdo.


abrir os segredos do apego.
roupa boa é para ser guardada.
roupa boa é para ser usada.
vida boa é em segurança.
vida boa é prá ser arriscada...

27.6.10

conto de fodas

a vida assim-assada.
o tempo água.
nada forte para beber, só o próprio sangue.
uma boneca no colo enquanto escreve dá o tom de irrealidade da vida.
toma um gole grande do vermelho rio de si.
não chora. não ri. não pensa. não sente.
conto de merda, de merda.
fantasia franca.
desejo.
não tinha idéias. não tinha ilusões. um silêncio povoado de sons.
o barulinho de sons em baixa vibração, zuniam constantes em sua audição.
respirava.

marte

o coração bate.
os pés...
seguem a pulsação.



23.6.10

sabor de melância

 tive a sensação de um gozo novo
que me envolveu em mim mesma...
tive arrepios...
derramou-se em mim não sei que balsamo interior...



20.6.10

o caminho do ritual no curso do rio

de ontem

sem palavras, vão se entendendo...

música nos muros

dos tempos de sujeitada,
mais nada.
sujeita, toda, essa moça
conhecia o sentido do dia.
o azul do céu,
era o azul do céu
sendo azul do céu em potência.
todas as cores do dia se eram.
tudo assim, percepção.

18.6.10

luz e mistério

o presente
está nos levando além...


Oh! Meu grande bem/Pudesse eu ver a estrada/Pudesse eu ter/A rota certa que levasse até/Dentro de ti/Oh! meu grande bem/Só vejo pistas falsas/É sempre assim/Cada picada aberta me tem mais/Fechado em mim /És um luar/Ao mesmo tempo luz e mistério/Como encontrar/A chave desse teu riso sério /Doçura de luz/Amargo e sombra escura/Procuro em vão/Banhar-me em ti/E poder decifrar teu coração /És um luar/Ao mesmo tempo luz e mistério/Como encontrar/A chave desse teu riso sério/Oh grande mistério, meu bem, doce luz/Abrir as portas desse império teu/E ser feliz.

sono


adoro dormir depois dele
adoro acordar mais cedo.
seu sono me acalma.
sua respiração
me inspira.
tão profunda...
quando me concentro bastante
vejo de relance seus sonhos.
menino lindo que dorme e acorda.
menino lindo que me despertou de um sono profundo...
te amo, meu amor.



caio fernando de abreu

quedei ao seu encontro...
muito prazer!

15.6.10

silêncio visual

na palavra escrita
vejo as imagens
do que não foi dito.
bendito hiato-maldito buraco
do que falta e do que sobra
na linguagem.

a tempestade

existe algo na vida
que me consome
tanto quanto
me inflama.

mágoas passadas
criam nuvens pesadas.
chovo tanto que as afogo.

dia desses 
se aproxima um anjo de mim.
diz amém
e essa tristeza
que vem com o frio
e com a chuva
tem fim.

"é complicado estar só/ quem está sozinho que o diga/ quando a tristeza é sempre um ponto de partida/ quando tudo é solidão/ é preciso acreditar num novo dia..."

despassito

não sinto mais nada.
e ainda sinto tudo.

we fuck alone

surreal...

11.6.10

chacra

entregue ao sol
entre arvores,
no meio do caminho.
cerrou os olhos e
abriu um dos três.
ficou tudo ambar.

alimento

transformar em comida
minha fome.
segredando ao fogo
o que me arde.

cardamomo

parece um bago de trigo,
ou grão de arroz graudo com casca.
quando abre tem cheiro do gosto de gengibre.
as sementinhas irregulares se agrupam e parecem uma coisa feia.
a surpresa mesmo é o sabor suave mesmo refrescante e ardido.
contrasenso?
experimente.

de uma sodade

escadas do infinito
sobre
mar profundo  de
azul noite cobato.
estrelas, brilho dos teus olhos.
teus olhos diamante bruto
insistem brilhar intenso.

bizarro

um homem vestido de coelho, comendo uma boneca inflável...
uma mulher sendo comida por uma cenoura.

ambivalência

quando ele se dava como fêmea,
ela o possuia como macho.

chama

o fogo
é um elo
entre o vermelho,
o azul
e o amarelo.


8.6.10

sol



a visão do Dia
iluminou o silêncio
do meu coração.

1.6.10

abrigo amoroso

sua casa tem cores, como ela amores.
quase todas as paredes são brancas.
branco impuro.
portas e janelas
numa distribuição irregular de cores.
porta da sala amarela angola
janela da sala vermelho reluzente
porta da cozinha amarelo angola
janela da cozinha amarelinho luz
porta da biblioteca branca
janela da biblioteca branca
porta do quarto dele azul céu gostoso
janela do quarto dele azul céu gostoso
porta do quarto dela lilás espiritual
janela do quarto dela lilás espiritual
(no vão do meio da janela, se movimenta uma mandala amarela luz do sol, feita em crochê por ela)
porta do banheiro verde pureza
janela do banheiro verde pureza
regularidades nas combinações.
nas paredes, desenhos e alguns poucos quadros.
lembretes.
a casa dela é como o grande amor.
um abrigo.


esperança viva que o sangue amansa/vem lá do espaço aberto/e faz do nosso braço/um abrigo/que possa guardar/a vitória do sentimento claro/vencendo todo o medo/mãos dadas pela rua/num destino de luz e amor/vem agora quase não há mais tempo/vem com teu passo firme/e rosto de criança/a maldade já vimos de mais/olha/sempre poderemos viver/em paz/em tempo/tento a fazer pelo nosso bem/iremos passar/mas não podemos nunca esquecer de mais álguem/que vem/simples inocentes a nos julgar/perdidos/as iluminadas crianças/herdeiras do chão/solo sagrado/não as ruínas de um caos/diamantes e cristais/não valem tal poder/contos de luar ou a história dos homens/lua vaga vem brincar/e manda teus sinais/que será de nós/se estivermos cançados/da verdade/do amor/esperaça viva/que a mão alcança/vem com teu passo firme/e rosto de criança/a maldade já vimos de mais.

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