31.10.09

tecnologia

vem cá, meu bem!
cê sabe que me deixa ligada.
vamos ficar off line,
ao menos por um dia.
vamos gerar essa energia...

poder

"me disseram que sonhar era ingênuo...
e daí?"


a luta é feita contra os inimigos...
a revolução contra os inimigos quer tomar o poder.

com amigos quero criar outros poderes...
quero a insurgência de atos cotidianos.
outras possibilidades de ganhar a vida.

se poder é esse copo d´água turvo,
ele não mata minha sede.

quero beber água de quartinha...
quero água fresca de pote,
como o amor
que umedece.

29.10.09

distância

estar  fora de si,
leva tão para dentro.
fica longe
qualquer encontro.

para dentro
é tanta estrada
que permite chegar
em você.

de tempos em tempos
 se encontrar e perder,
necessários movimentos
de crescer.



epidermica

eriço
de sentido
cada ato
cotidiano.

no prazer
aprendo






valsa

enquanto trabalha
vadio
enquanto estação
ônibus vazio
enquanto cachorro
gata no cio

27.10.09

palavras


a leveza da palavra
é  mentira
que não permito mais.
melhor silêncio
a usar palavras de ocasião.
olho d'água
que não soterra.
basta mexer um cadinho
já vaza um rio.

25.10.09

surpresa

ou sobre aterrisar

chão que
nunca
chega.

visitando sobre ser lilás

23.10.09

dúvida






foi uma das sensações mais gostosas
que tive com você.
era como um eco...eco...eco...eco
um sonar, radar
coisa desse tipo.

ondas de som se propagavam
umas em diração às outras...
nossas vozes se cruzando
pelo espaço.

leve euforia
me percorreu.
seu corpo no meu
se envolveu.
tão
dentro
tão forte
e pulsante
e vivo.

há milhares de distâncias,
é possível estar assim tão perto?

sangrandas

sinto arrepio de emoção
quando penso seu sangue vivo,
derramado em palavras vivas
que cortam as páginas em branco.
elas sangram...
escrituras sangradas
vermelhas
vivas
vivas...vivas.


guia



ou  vendedor de contas

lembrei do gesto generoso.
eu não tinha dinheiro trocado,
ao invés de vender me ofereceu.

devia saber que tudo que é dado
vem em dobro,
às vezes em jorro.

protegida desde então
me sinto mais
feliz.

sobre perder

ou os dragões e o dirígivel

aconteceu.
te ler me emocionou novamente.
seu estilo prático,
faz parte do meu, enigmático.
minha escrita sugere o
multiplo recorte de minha visão.
o seu também, de um modo sintético.
mais puxado para a razão.
são assim as diferenças de estilo,
suplementares.
sairei, levarei comigo teu coração.
cuido bem dele.
pegarei o zeppelin e
irei ter com os dragões...

22.10.09

energia




esses dias a energia faltou, aqui no condomínio.
comecei a ouvir vozes de  gente conversando.
comecei a ouvir barulho de portas e portões se abrindo...
pessoas saindo de seus apartamentos.
de tempos em tempos a energia deveria faltar.
assim todos se lembrariam que a vida é uma ficção real, não só virtual.
assim todos retomariam o prazer cotidiano do contato com pessoas próximas que se tornam distantes.
eu, que já adoro, fui ler mais uma história para o meu filho.
fiquei a rir satisfeita, pensando no contato que pessoas que nem conheço estavam tendo.
já imaginou o mundo sem energia elétrica?
a vida seria mais local.
o mundo voltaria a ser maior.
nosso tempo voltaria para o lugar.
seríamos mais felizes?

21.10.09

funeral II

ou uma colaboração de "on ground"
Vendo aquele que entra em uma boate, após sair de seu carrão, que é bem recebido e aquele do outro lado da rua, jogado em um banco de praça, mal arrumado e ignorado pelo que parece ser.
Me perguntei:
_Se o nascimento e a morte são iguais para todos, porque temos vidas tão diferentes?
_É obvio! Respondo para mim:
_Os dois já nasceram mortos, mas só um deles sabe disso.
A dúvida é: 
_ Qual deles?


amo

é tão grande e forte
e tranquilo e teso
que posso estar só
com prazer
de me acompanhar.
esse amor me fez amar.


despedida

só de pensar um encontro
seu coração palpita mais forte.
sinte aquela sensação de borboletas.
sente-se mais viva.
o amor é assim...
 uma ausente presença.
vá para onde for.

olfato



sinto um cheiro dentro de mim.
aquele cheiro de boca.
aquele cheiro de pele.
aquele cheiro que tentam encobrir
com creme dental e perfumes.
gosto de tudo humano...
até dos odores.

funeral

ou o pato, a morte e a tulipa

um gemido de dor anuncia o fim de uma vida. fim no aqui, no agora. mais uma ida pelo avesso... saio de minha dor mar e mergulho na dor oceano dela. a vivência desse momento difícil transbordou força em ondas de amor. ao deitar em suas raízes, seu fruto filho mostrou ser maior do que se sabia...


Tema difícil a morte. Certeza eminente, mesmo assim, sempre nos surpreende .
Existe uma história linda...  "As intermitências da morte", de José Saramago.
Nela a morte que sente o que é vida,  se apaixona e não mata mais ninguém, provocando um caos na humanidade.
No livro "A grande questão" vários personagens respondem por que viemos ao mundo.
O passarinho diz que é para cantarmos nossa própria canção, o jardineiro diz que é para sermos pacientes, o marinheiro diz que é para navegarmos por todos os mares.
A pedra diz que é para estarmos aqui e pronto.
O pato diz não ter a menor idéia e a morte diz que é para amarmos a vida...
Essa mesma morte, reaparece em outro livro de Wolf Erlbruch.
Nele a morte aparece pela primeira vez para o pato que não fazia a menor idéia do que veio fazer no mundo.
A história começa por uma sensação de incomodo, uma inquietação...
O pato percebe que a morte está ao seu lado e descobre que ela tem um sorriso amigo, sendo até simpática  se esquecermos "quem ela é".


“ – Está com frio? – perguntou o pato. – Posso te esquentar?
Ninguém jamais havia feito a ela uma proposta parecida”.


Ao conviver com o pato a morte passa a sentir coisas boas e inúteis da vida como sentar lado a lado sem prescisar dizer nada ou subir numa árvore... enfim ela descobre que as melhores coisas da vida não devem servir para nada...


“Às vezes, a morte podia ler pensamentos.
- Quando você estiver morto, o lago também não vai estar mais lá – pelo menos não para você.
- Tem certeza? – perguntou o pato espantado.
- Certeza absoluta – respondeu a morte.
- Menos mal. Então eu não preciso ficar triste por ele quando...
- Quando você estiver morto – disse a morte.
Era fácil para ela falar sobre a morte.
- Vamos descer – pediu o pato depois de alguns instantes – a gente tem cada pensamento estranho em cima das árvores...”.


Um dia o pato sente frio e pede que a morte o esquente.
Ela o esquenta com o olhar.
Enquanto ele descansa, o carrega no colo com cuidado até o grande rio.


“E continuou olhando o fluxo do rio por um bom tempo.
Quando perdeu o pato de vista, por pouco a morte não ficou triste.
Mas assim era a vida”.




“E onde a tulipa entra nesta história?”. é a pergunta na contra-capa do livro...


A tulipa estava na mão da morte desde que ela apareceu para o pato.
É a flor que o acompanha  em sua jornada para além de morrer.
A tulipa vermelha representa o amor verdadeiro.
Aquele citado pela morte em "a grande questão", o amor que humaniza a morte no livro do saramago.


Viver, buscar sentido e morrer... nossas únicas certezas.
Certezas que nos fogem muitas vezes ao alcance...
Nos cabe então, construir sentidos muito próprios ao que se vive para morrer sempre em paz.




querida amiga, essa é minha maneira de dizer o quanto amo viver.
o quanto te amo e a tudo que você é.
Oiran, em sua vida, construiu sentidos intensos.
isso é viver para morrer em paz...
qualquer que seja a morte, em qualquer que seja o tempo.
amemos mais ainda a vida, em honra a ida dele pelo avesso para além de morrer.

20.10.09

pela net

ou conversa de elefante II


tive um raio de iluminação.
somos tão diferentes,
homens e mulheres.
a maioria de nós gosta de detalhar, entender o que se passa.
gostamos do diálogo.
a maioria deles gosta dos fatos, de clareza no que se quer.
gostam da ação.
acontece que numa relação, é preciso lidar o tempo todo com essa tensão.
ela explica em detalhes o que se passa, ele responde com um enigma:
"aproveite ou enlouqueça!"


"- ei, que cê tá fazendo?
 - tô aguando as plantas!
 -mas tá chovendo!!!
- e daí...? eu estou de guarda chuva...!"




(durante a tarde lendo sobre complexidade, pensei minha primeira aula na universidade.
levarei os estudantes para colher a verga.confeccionaremos, cada qual seu berimbau.
assim, apenas compartilhando o momento, falando o que vier como assunto, nos conhecendo um pouco.
essa será a metáfora do encaminhamento de minhas aulas.
estudar comigo vai ser o processo...) pequena digressão sobre a memória do vivido

fazia tempo que sabia ser grande
a liberdade de ser e existir.
o ritual do corpo,
o ritual do movimento,
o ritual da roda.
a possibilidade de contatar todo o sensorial,
liberando sensações, emoções e a criatividade.
estive saudosa...
lhe reencontrei.
de longe apreciei.
de perto cantei.
me sinto a vontade.
trajava vestido, ainda assim  o corpo soltou a ginga.
preciso dizer axé minha angola!
amor da minha vida.

(fazia tempo estava distante desse amor. o corpo travou.
 maneira tosca, mas certeira de se manter vivo. ficando imóvel.
hoje estive presente em parte dessa energia ancestral.
estive no circo. estive no treino da capoeira angola.) pequena digressão sobre o ocorrido

fui embora cantando bonito...

" apanha laranja no chão tico-tico,
se meu amor for se embora eu não fico...
panha laranja no chão tico-tico,
se meu amor for simbora eu num fico"

música

passei muito tempo
no silêncio das emoções
de dentro...
ouço.
me embalo...
danço.
no ritmo me lanço.


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