quisera cada espelho
fosse um portal
que se abrisse ao que somos
quisera ver-nos agora
3.8.11
16.6.11
from now on
sempre tem sido
voce é voce e eu sou eu
de agora em diante
é eu sou eu
voce já não sei quem foi.
voce é voce e eu sou eu
de agora em diante
é eu sou eu
voce já não sei quem foi.
9.6.11
brava
para aquecer um coração
palavras de poeta incendiário.
águas dos olhos evaporam
fica sal de tanto mar.
incendiária
a condição de ser consciente
hoje me faz triste
o outro não existe?
a mim me basto?
seguir me acompanhando
é a alegria que escolho.
por livre e expontânea condição.
o fogo que aquece também incendeia.
6.6.11
transitoriedade
aceito
este silêncio
aceito este deus ausente
(aceito essa deusa presente)
esparramando em pedras
(esparramando flores e estrelas)
aceito
este tempo moroso
(aceito esse tempo fulgaz)
que exaspera monges
(que exaspera até aos mais superficiais)
este ritmo que esquarteja toda esperança
(este ritmo que implora o perdão)
aceito este tempo em que nada acontece
( aceito esse tempo em que tudo acontece)
aceito
ilha que sou
(aceito oceano que sou)
tesouros submersos
aceito toda espera
seus rumores
aceito emoções descarriladas
aceito arrancar minha roupa
expor meu sexo
minha dor involuntária
(minha alegria escolhida)
aceito compor em silêncio
uma sinfonia
interminável
aceito a perplexidade
de um caminhar vazio
(cheio de tudo)
tudo aceito
aceito
não entender tanta dor
(perdoar tanta dor)
aceito este corpo perecível
(aceito esse corpo eterno que se reproduz)
aceito as respostas que não entendo
(e as respostas que não tenho)
aceito
o inútil pão exposto
jamais devorado
(aceito todo desejo)
aceito
este meu olhar vazio
(aceito esse olhar devaneio)
o sonhar
(o agir)
aceito
aceito
aceito
por que não?
este doce e terrível sangrar
aceito
o louco carrossel insano
desgovernado
desobediente
que nos comanda
aceito
o amor
(aceito o amor e basta)
só isso me basta
5.5.11
ao longo dos séculos
o grau espiritual de uma pessoa só depende do que ela tem dentro do coração, no que eu chamo de foco intimo da intenção, o centro secreto de onde emanam as intenções que movem nossos atos na vida.
se voce quer aqui, algo absoluto, absolutamente aqui... não existirá!
20.4.11
malandragem dá um tempo
eu sou malandro
só prá ver como é que é.
porque malandro
tem que ter fé.
saber usar a cabeça e o pé...
19.4.11
o gato por dentro
o gato branco simboliza a lua prateada que se intromete nos cantos e purifica o céu para o dia seguinte.
o gato branc pela lua prateada.
o é "o limpador", ou "o animal que limpa", descrito pela palavra em sânscrito Margaras, que significa "o caçador que segue a trilha; o investigador; o rastreador ágil".
o gato branco é o caçador e o matador, e seu caminho é iluminado
todos os lugares e pessoas escondidos nas sombras são revelados sob essa luz suave inexorável.
você não consegue afastar seu gato branco porque seu gato branco é você.
não pode se esconder de seu gato branco, porque seu gato branco se esconde com você.
" nós gatos nascemos livres, mas gostamos de segurança e conforto"
14.4.11
silêncio molecular
ouvem poesias
quando não dizem palavra.
apenas o silêncio das moléculas
deles vibrando.
13.4.11
muviola
o sol brilha prá nós
e sabemos que um dia
tudo vai se acabar
e só vai ficar
o que a gente irradia...
10.4.11
1.4.11
para além do princípio do prazer
-quando vai começar?
-não é assim tão simples. primeiro você tem de estar pronto.
- creio que estou.
- isso é uma brincadeira... você tem de brincar até não haver mais dúvida... e então o encontrará.
-tenho de preparar-me?
- não. só tem de brincar. pode desistir de tudo, depois de algum tempo. você se cança facilmente. brincar de viver exige um intento muito sério.
22.3.11
ao eco do nosso sangue
- ei, você tá contando diferente! não vale! alguem reclamou...
-esse é o jeito de minha mãe contar a história.
nisso uma criança que acabara de perder a mãe em circunstâncias trágicas, e que jamais havia mencionado a perda ou a dor, afirmou categoricamente:
-minha mãe morreu e virou um anjo que me protege.
- bobagem! disse um coleguinha impiedoso. - quem morre vira caveira e, depois, pó. foi meu pai quem disse!
a professora fechou o livro e, lenta e cuidadosamente, atraiu a menina para si:
- minha mãe diz que a gente morre, nasce de novo, morre nasce de novo, até aprender tudo que precisa. afirmou uma criança.
- meu pai tem cabelos brancos, será que ele vai morrer? perguntou outra.
- se ele morrer, depois fica pertinho de você só que invisível.
-não, tá errado! quem morre vira passarinho, depois coelho e cachorro.
-não é isso! quem morre vira alma e vive pra sempre nas nuvens.
todos expressaram suas hipóteses, até que uma perguntou:
-o que vc acha?
-eu acredito em tudo. a gente vira pó, vira alma, morre e nasce de novo.
alguem bateu na porta e a roda se dissipou e as crianças se levantaram satisfeitas em sua sabedoria infantil, sem necessidade de uma resposta para o mistério da vida e da morte.
..................................................................................................................
ao terminar de ler o pequeno registro que acabo de adaptar, chorei.
enquanto chorava o telefone tocou e meu amor noticiou a morte do filho de uma amiga nossa, dessas amigas que fazem parte da vida sem que nela esteja sempre. mas daquelas amigas que são energias que se entrelaçam na dança da vida, nas celebrações.
chorei sua dor.
enquanto isso, meu filho assistia um desenho em que duas menininhas visitavam a avó que completava 100 anos. de presente levaram uma fotografia em que o avô estava entre elas. a avó ficou emocionada. quando elas foram embora, a avó guardou cuidadosamente a fotografia no álbum da família e segundo o narrador da história " se preparou naquela noite para reencontrar seu marido"...
as menininhas aparecem na sequência com duas mudas de carvalho que irão plantar em homenagem aos avós falecidos.
penso na morte como o mistério da vida.
é preciso cultivar a atitude das crianças, de sentir o mistério sem querer respondê-lo. sei que muitos de nós, não foram ensinados assim... mas podemos aprender.
-esse é o jeito de minha mãe contar a história.
nisso uma criança que acabara de perder a mãe em circunstâncias trágicas, e que jamais havia mencionado a perda ou a dor, afirmou categoricamente:
-minha mãe morreu e virou um anjo que me protege.
- bobagem! disse um coleguinha impiedoso. - quem morre vira caveira e, depois, pó. foi meu pai quem disse!
a professora fechou o livro e, lenta e cuidadosamente, atraiu a menina para si:
- minha mãe diz que a gente morre, nasce de novo, morre nasce de novo, até aprender tudo que precisa. afirmou uma criança.
- meu pai tem cabelos brancos, será que ele vai morrer? perguntou outra.
- se ele morrer, depois fica pertinho de você só que invisível.
-não, tá errado! quem morre vira passarinho, depois coelho e cachorro.
-não é isso! quem morre vira alma e vive pra sempre nas nuvens.
todos expressaram suas hipóteses, até que uma perguntou:
-o que vc acha?
-eu acredito em tudo. a gente vira pó, vira alma, morre e nasce de novo.
alguem bateu na porta e a roda se dissipou e as crianças se levantaram satisfeitas em sua sabedoria infantil, sem necessidade de uma resposta para o mistério da vida e da morte.
..................................................................................................................
ao terminar de ler o pequeno registro que acabo de adaptar, chorei.
enquanto chorava o telefone tocou e meu amor noticiou a morte do filho de uma amiga nossa, dessas amigas que fazem parte da vida sem que nela esteja sempre. mas daquelas amigas que são energias que se entrelaçam na dança da vida, nas celebrações.
chorei sua dor.
enquanto isso, meu filho assistia um desenho em que duas menininhas visitavam a avó que completava 100 anos. de presente levaram uma fotografia em que o avô estava entre elas. a avó ficou emocionada. quando elas foram embora, a avó guardou cuidadosamente a fotografia no álbum da família e segundo o narrador da história " se preparou naquela noite para reencontrar seu marido"...
as menininhas aparecem na sequência com duas mudas de carvalho que irão plantar em homenagem aos avós falecidos.
penso na morte como o mistério da vida.
é preciso cultivar a atitude das crianças, de sentir o mistério sem querer respondê-lo. sei que muitos de nós, não foram ensinados assim... mas podemos aprender.
16.3.11
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